quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Morokulien - Um Novo Ano de Paz

Eu poderia fazer uma retrospectiva do ano que está acabando. De fato, é inevitável relembrar momentos marcantes - felizes e tristes. Eu sofri muito esse ano - como nunca antes. Das coisas que aconteceram, a que mais doeu - e a que sempre dói - é perder alguém a quem chamo de amigo - perdi para a vida, o que, na maioria das vezes, é muito pior que perder para a morte. Nunca soube entender como pode uma pessoa querida entrar e sair da vida da gente como quem vai a um país distante a passeio, de férias...

Em 2008, tive a sorte e a honra de conhecer uma amiga fabulosa: D. Alda Schlemm Niemeyer. Durante minha breve estadia em sua adorável casa na linda cidade de Blumenau (bem antes das cheias), ouvi dela muitas histórias e recebi muitas lições. Alda quer dizer Sábia. Realmente, ela sabe das coisas... E foi dela que, pela primeira vez, ouvi falar de Morokulien - a república da Paz.

Paz é uma palavra que fica na moda no mês de dezembro e ganha todo seu esplendor no último dia do ano - para cair em desuso nos outros novos 365 dias. Todos desejam paz uns aos outros no dia de hoje, mas porque será que não temos paz? Com a mente sempre ocupada com desejos e o corpo em movimento para realizá-los, que tempo temos para sentir e levar a paz?

Todos hoje estão animados, preparando a ceia, cheios de esperanças para o ano vindouro. Que tal experimentar o molho que eu aprendi com a D. Alda? Ela aprendeu com seus amigos em Morokulien e, por isso mesmo, esse molho para salada leva esse nome - uma celebração à paz e à amizade...

Ingredientes:

1 Cebola
Açucar (o suficiente para envolver a cebola)
Pimenta do reino (a gosto)
Sal (a gosto)
Azeite (5 colheres de sopa)
Vinagre (5 colheres de sopa)

Modo de fazer:

Picar a cebola em cubinhos bem pequenos e deixar descansar no açucar. Ela vai ficar bem transparente e mudar o sabor e textura. Juntar a pimenta e o sal e deixar descansar um pouco.

Acrescente o azeite, misturando bem. Ajuntar o vinagre e está pronto!

Você pode usar usa imaginação e agregar mais ingredientes - maionese, alfavaca, orégano, manjericão, mostarda, o que você quiser!


Lembrando dessa minha amiga, de outros que não estão tão presentes e aqueles que já não estão mais nesse mundo, tentei sentir a paz que eu desejo todos os dias - para mim, para vocês e especialmente para aqueles que mais precisam...

Um Feliz 2010 para todos nós!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Doce Presente de Natal

Natal. Todo mundo sabe a origem e o significado da palavra. E tudo que eu disser vai ser clichê. É possível resistir ao desejo incontrolável que a gente tem de querer agradar todo mundo que a gente gosta nessa data? Eu não consigo resistir...

Ultimamente, tenho falado tanto dos meus amigos tuiteiros e das nossas peripércias. Sou uma professora em férias e estou me dedicando a outras coisas que me dão satisfação além de lecionar. Todavia, acho que ensinar, para mim, é mais que uma sina: é a forma em que eu me entendo viver. Eu vivo ensinando e vivo para ensinar - aprendendo sempre no processo!

Tudo começou assim: Natal... O que vamos fazer de bom para a ceia? Recebi vários tweets interessantes e deliciosos, mas achei a ideia da @Patymimmo genial: Petit Gateau de Doce de Leite, do site Cozinha Pequena. Combinamos fazer a sobremesa para a ceia de hoje, um presente a mais para nossas famílias. E um presente para nossos leitores: faremos um post duplo - aquela coisa do Variações sobre o Tema, que eu disse uma vez, há alguns posts atrás... O tutorial dos Cookies de Lavanda e Limão foi tão incensado pelos amigos que eu não tive como não fazer outro. Dessa vez, uma receita ainda mais deliciosa e que qualquer um pode fazer!

Presente não é só aquilo que a gente pode embrulhar e entregar para a pessoa querida - gesto simbólico de apreço, de afeição, de amor. É mais do que isso: é o único tempo que existe - o tempo de fazer alguém sorrir, de fazer os olhos de alguém brilharem, de brincar junto, de celebrar as pequenas coisas e ver beleza nas mais simples. O espírito de Natal me faz ver tudo dessa forma, com muita clareza. Eu desejo que todos possam experimentar esse meu entendimento sobre o presente em suas vidas; da mesma maneira, diariamente...

FELIZ NATAL PARA TODOS E BEIJOS EM CADA UM!


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Meu Amigo Secreto é... - Tutorial de Cookies de Lavanda e Limão


Todo fim de ano é assim, não é? Todos montando suas Árvores de Natal, enfeitando-as com luzinhas coloridas, pendurando guirlanda nas portas, montando presépio. E, como não poderia deixar de ser, organizando a brincadeira mais manjada do universo - mas sempre, sempre divertida: o Amigo Secreto.

O meu esse ano não foi na firma, não foi em família. Sim, foi entre amigos. Entre amigos virtuais mais que reais: @anasinhana @asimizo @rhigam @pratofundo @noelleaquino @veiadateia @lubetenson @thecookieshop @nathy2 @tiofaso @elisa_kawaii @carolarodrigues @doisespressos @mixiricacombr e eu (@adrianaoliveira). A brincadeira começou no dia 09/11 e encerrou-se por prorrogação no dia 18/12. Foram mais de 30 dias de diversão - bilhetinhos secretos, twittadas divertidas e empenho no preparo dos mimos. A proposta era desafiadora, dada as especialidades de cada participante. Meio a meio crafters e gourmets (ou food bloggers, como alguns já mencionaram durante a brincadeira). Cada um deveria mandar ao seu Amigo Secreto: 1 craft, 1 receita e 1 gulodice.

Quem tirou quem? Vejamos...

Ana Sinhana tirou Renato, que tirou Vitor, que tirou Faso que eu não sei quem ele tirou ainda. Dri Simizo tirou a Ana Sinhana. Daí, o Marcelo tirou a Noelle que eu também ainda não sei com quem ela saiu... E a Nathy tirou a Dri Simizo! A Elisa ganhou presente da Luciana que por sua vez ainda não recebeu o dela... A Paula, como vocês já sabem, saiu comigo (que sorte grande a minha!) e quem saiu com ela foi a Tatu. Nossa, que emboleira! Isso é porque nem todos receberam ainda seus mimos... Entretanto, no meio disso tudo, a Vera, que tirou a Carola, é a MINHA Amiga Secreta! Bem, ela também não recebeu o presente dela ainda... Mas já está a caminho. Como a brincadeira se encerrou, resolvi dar a parte virtual do presente dela hoje: o tutorial dos Cookies de Lavanda e Limão (receita da Simone Izumi, do Chocolatria) que foi junto por escrito no pacote enviado pelo correio. Esse vídeo não poderia ter sido realizado sem colaboração mais que especial dos outros Amigos Secretos - Vitor (Prato Fundo) - que me orientou sobre como editar o vídeo, já que o meu WMM está zoado, Renato Higa (Sugarnut) - que combinou comigo postagem dupla da mesma receita, com a perspectiva dele - e a minha irmã Paula (The Cookie Shop) - que deu dicas para que a receita saísse "perfeita" (entre aspas porque eu nunca consigo acertar fazer as coisas com perfeição logo na primeira tentativa).

Vera, fiz com carinho e dedicação... Foi uma honra e um prazer ímpar ter sido a sua Amiga Secreta! Obrigada por participar da brincadeira! Ainda quero saber de todos os outros como foi essa experiência. De minha parte posso dizer que foi maravilhosa porque eu pude me aproximar ainda um pouco mais de pessoas com quem eu compartilho muitas afinidades. Eu me senti mais perto de cada um... Sintam-se todos abraçados no meu abraço especial para @veiadateia.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Generosidade cabe numa tacinha de sorvete? - Alessa Gelato e Caffè


Andrea preparando-me um Bacio (Espumante com sorbet de framboesa)

Generosidade. Gostaria de saber a origem etimológica dessa palavra. Não encontrei nada. Nasceu substantivo abstrato - nos dias atuais, mais do que nunca. Raridade. E quando a encontramos nas pessoas, nos lugares, sempre ficamos fascinados.

Tudo começou assim: uma sorveteria com um nome bacana, num bairro bacana, na bacana cidade de Belo Horizonte, encantou a Cláudia do Superzíper pelo do Vale Chuva - um mimo do Alessa Gelato para os clientes no dia de chuva. Ganhar um sorvete quando a chuva cai não é algo tão generoso? Pensa bem: você aborrecido com a chuva atrapalhando seus programas e, enquanto espera que ela passe, um sorvete (na verdade dois - um que você compra e outro que você ganha) faz com que você esqueça todos seus problemas? Foi assim que eu conheci o nome Alessa. Não foi na revista Veja, não foi na revista Encontro - foi num blog de gente como a gente. Gente generosa que compartilha conhecimentos, vivências e experiências.

238 dias depois, fui à Alessa pela primeira vez. Imediatamente reconheci a pessoa que viu o meu comentário sobre o post da Cláudia: Andrea Manetta (sócia proprietária) que gentilmente me convidou para conhecer a gelateria. Fui surpreendida com uma recepção generosa: convidou-me para uma degustação especial em que apresentaria não apenas os sabores Alessa mas toda um cultura do sorvete.

Não conheço quem diga "Não gosto de sorvete" - fato. Já parou para pensar que saborear um sorvete pode ser algo tão sofisticado e prazeroso quanto provar um bom vinho? Servido a exatos* -10º c (inclusive a climatação interna da loja foi pensada e projetada em função disso), com matéria prima de altíssima qualidade e produção "craft" (o artesanal elevado ao máximo), o sorvete Alessa é único. Esqueci tudo que eu achava que sabia sobre sorvete depois de ouvir a Andrea falando apaixonadamente sobre. Assim como um enólogo degusta um vinho - com atenção às nuances, texturas, aromas - alguém que tenha dado a devida atenção à aula dada pela Andrea consegue perceber o aroma dos sorbets e as diferentes nuances dos diferentes sabores.

O espaço que leva o nome Alessa, assim como sorvete, é uma obra de arte. Andrea, além de empresária, é arquiteta - por formação e de nascença. A iluminação, a organização do espaço, as cores: convites à uma reunião agradável com os amigos, a um encontro idílico com o namorado ou o simples deleite solitário de um prosaico prazer que é tomar um sorvete - foi o que eu vi na tarde de hoje, quando passei por lá pela segunda vez.

Eu recomendo Alessa Gelateria não pelo prêmio de Melhor Sorveteria de Belo Horizonte pela revista Veja nem porque ela se encontra no coração de um dos bairros mais nobres e tradicionais da nossa Cidade Jardim. Recomendo porque eu me senti acolhida pela generosidade da Andrea em tudo - nas cores, no ambiente, nos sabores... Lá não é uma sorveteria qualquer porque é chic e o produto que Alessa Gelato oferece é o da mais alta gastronomia. Nada disso. Eu gostaria que todos pudesem conhecer aquele lugar porque lá tudo é arte que inspira a todos que se sentem acolhidos tanto quanto eu me senti. E tudo isso não cabe numa tacinha de sorvete!

Experimente: Sorbet e o Frutíssimo (Smooth) de Laranja com Pêssego (o primeiro sabor que experimentei), Chocolate Andrea, todos os sabores Alessa (os que têm esse nome levam o especialíssimo doce de leite de fabricação própria, feito com uma combinação perfeita entre a técnica argentina e a brasileira) e O MEU FAVORITO: Romeu & Julieta (Goiabada com queijo MINAS).






*NOTA EXPLICATIVA: A temperatura do sorvete Alessa não é "exatos" -10º c. Ela varia de -10º a -12º e depende do sabor: frutas (sorbets) a -10º c, cremes a -11ºc e chocolates a -12ºc, o que também costuma variar de acordo com a estação do ano. (Andrea Manetta)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

We're all dialed in

Dias atrás, eu "inventei" de brincar de Amigo Secreto via Twitter e chamei algumas pessoas que eu sigo e que converso com frequência para participar. Toparam participar: @anasinhana @asimizo @rhigam @pratofundo @noelleaquino @veiadateia @lubetenson @thecookieshop @nathy2 @tiofaso @elisa_kawaii @carolarodrigues @doisespressos @mixiricacombr e eu (@adrianaoliveira).

Estava previsto da brincadeira se encerrar hoje - coincidentemente aniversário da @thecookieshop (Paula Cinini do site The Cookie Shop), mas precisou ser prorrogada até a próxima sexta-feira. Seria um final apoteótico para uma brincadeira perfeita. 15 desconhecidos se aproximaram ainda mais uns dos outros sob esse pretexto. 15 desconhecidos que seguirão suas vidas independentemente dela. Ou não - esse é o meu caso.

Não posso deixar de dizer que as afinidades que nos reuniram foram o leitmotiv. Mas como poderíamos entender como foi que pessoas se uniram? Dar os créditos ao acaso? Não posso... Não é possível... Uma série de coincidências que Jung daria o nome de Sincronicidade fez com que a Paula fosse a minha amiga secreta. Justamente a pessoa que mais se aproximou de mim, a pessoa que mais se parece comigo - no senso de humor, no jeito de ser... Paula, para mim, é uma Adriana 2.0 - versão melhorada de mim: com um talento incrível para doçuras (literalmente). A mãe da Heleninha me deu o MELHOR PRESENTE de Amigo secreto que eu já ganhei em toda minha vida. E hoje é aniversário dela. Eu teria tanta coisa para dizer... Mas as palavras parecem resvalar da minha mente e não quererem escapar do meu coração. O que se sente, por mais que queira ser traduzido em palavras, nunca consegue ser de fato expresso. Portanto, nada do que eu quiser dizer ou desejar em palavras para a Paula corresponderá ao que eu realmente sinto e ao que eu desejo para ela. Então, que ela compreenda minha a minha limitação e aceite essa música que eu dedico a ela e a todos que brincaram comigo. Obrigada a todos vocês que me proporcionaram os momentos mais felizes de 2009 na minha vida.

Feliz Aniversário, Paula!




All dialed in (Todos conectados) - Jason Mraz

Marigolds and bougainvillea
Pressed against the fence

This might be my opportunity
To finally make some sense

Climbing towards the sky I gained a better understanding
About the sky in fact the sky starts on the ground here
So when I'm reaching up I'm really reaching out the boundaries
And I'm all dialed in
Cause we're all connected

It's a simple life today
No matter what they pay me
Playing is my reward
So take it easy on the world when
She's someone else's girlfriend
Taste her cake and see how she likes you

Climbing to the sky to gain the other common knowledge
Yeah your world is watching waiting from the wings
So when I'm singing out I'm really thinking how astounding it is
That we're all dialed in
We're all connected

Oh this spirit lies in Auld Lang Syne
And If you ain't here today you're just digging an icy grave
Bottle some hurt and fill in the dirt
And take them old marigolds away

Well, climbing to the top has never been my destination
Because the only way to stop is by jumping off
I don't need this microphone to address the nation
Cause I'm all dialed in
We're all connected

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Prece de Gratidão

Existe algo inexplicável que os homens chamam de Deus. Por convenção, eu usarei esse nome para expressar coisas que eu preciso dizer.

Deus, obrigada. Obrigada por ter criado todos os mundos. Obrigada por ter pintado o céu e a terra de tantas cores tão lindas que meus olhos mal podem distinguir entre tantas nuances perfeitas.

Obrigada pela chuva que molha as plantas, que mata a sede. E que destrói os morros, desbarranca casas e deixa pessoas desabrigadas - quando não morrem em função disso.

Obrigada pelo sol e pelo ar que mantêm tudo que existe. Obrigada mesmo quando eles causam a morte e a intoxicação.

Obrigada pelo sangue que corre em minhas veias que me permite estar aqui dizendo essas coisas que serão (ou não) lidas por quem acredita (ou não) que Você existe. Obrigada ainda assim quando ele é derramado em "Seu Nome" por ódio, vingança, violência...

Obrigada Deus, por ter arquitetado tão bem a manutenção do corpo... Obrigada pela fome, pela sede, pela angústia, pela solidão, pelo sofrimento meu e de todo ser vivente.

Obrigada pela capacidade de discernimento que me habilita a criar e desenvolver algo que seja útil para todas as pessoas. Igualmente pelo mau que existe: pela dor, pela ferida, pela falta de cura - das doenças do corpo e da alma. Obrigada por permitir que eu veja mesmo aquilo que não quero ver.

Obrigada pela salvação assim como pela danação eterna - se é que isso mesmo existe. Obrigada, meu Senhor, pelo milagre da vida assim como pelo milagre que é a morte - quando nos ensina a importância das coisas e das pessoas.

Obrigada por todos meus amigos e igualmente por aqueles que pensam ser meus inimigos - eles me fazem mais forte, mais compassiva e paciente. Obrigada meu Deus pela presença assim como pela falta - de amor, de carinho, de atenção, de cuidado. Obrigada por tudo que eu aprendi e pelo que ainda não entendo.

Obrigada, oh Meu Doce Senhor, por te ver no feio, no horrível, no triste, no ignorante, no imperfeito assim como te vejo no belo, no maravilhoso, no fantástico e no perfeito porque se eu não for capaz de Te ver em todas as coisas, não sou digna de dizer que existo.



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Jason Mraz Tour in Brazil - Belo Horizonte/MG - 29/11/2009


Coincidências não existem. Tampouco acaso. Acredito que todos os eventos da vida têm alguma conexão, explicação, sentido ou significado em essência. Jung deu a esse tipo de evento o nome de Sincronicidade. Já há alguns anos tenho notado esses eventos "mágicos" ocorrendo o tempo todo comigo, sempre me impressionando, sempre me surpreendendo. Recentemente tenho sido atacada por eles e isso me enche de alegria...

Conheci Jason Mraz ouvindo a 90 Fm Blumenau. Muito antes de Lucky e I'm yours, a rádio já tocava Make it mine. Infelizmente, poucas pessoas conhecem-no pelo conjunto de sua obra até agora. O show lotou no último domingo muito em função da participação dele no programa do Faustão no último dia 15/11, no início da turnê do artista pelo Brasil.

Eu soube do show por "acaso"... O anúncio estava pregado na traseira de um ônibus e quando eu bati o olho, meu coração disparou de emoção. Não sosseguei enquanto não comprei o ingresso e esperei por esse dia ansiosamente. O meu pesar é que eu iria estar sozinha num show, pela primeira vez.

Eu não procurei muito, mas o pouco que sei sobre a vida dele me faz admirar ainda mais sua arte e a pessoa que ele é. Jason, até onde sei, me corrija se eu estiver enganada, é espiritualista - provavelmente vinculado à algum movimento religioso ou filosófico relacionado à yoga (um de seus violões tem um enorme símbolo do OM pregado nele) e, estando no Twitter, posta periodicamente autoafirmações positivas. As mensagens de suas canções são singelas e falam de um amor mais universal em detrimento do pessoal. Make it mine e I'm yours são exemplos disso, pois tratam da união com Deus (verdadeiro significado da palavra Yoga). Nesse sentido, para mim, Jason é um artista que se aproxima muito de George Harrison. Não no estilo, mas na mensagem espiritual de amor universal e união com o Divino.

Meu namorado me levou até o local do show com 1 hora apenas de antecedência. Estava tudo lotado e eu fiquei um pouco ansiosa de estar no meio de uma multidão completamente sozinha. Assim que o show começou, toda a minha angústia se desvaneceu. Ele estava lá, cantando para todos, por todos e para mim. Minha mente esvaziou-se. E se encheu de cores e sons. Poucas músicas foram cantadas em uníssono, exceto I'm yours e Lucky (que contou com a participação especial de uma fã que o próprio pediu para subir ao palco para cantar com ele). Entretanto, todos se envolveram harmoniosamente sob sua regência. Ele cantou TODAS as minhas músicas favoritas. Surpreendeu-me particularmente a performance em Dynamo of volition em que Jason ensina antes de começar a tocar alguns movimentos que depois compreendi como sendo uma espécie de língua de sinais para a canção. No quesito simpatia, o cantor é hors concours... Em determinado momento, agradeceu ao público em espanhol, o que gerou um certo desconforto que foi imediatamente contornado - ele agradeceu em vários idiomas e foi ensurdecedoramente aplaudido. Carinhosamente, Jason retribuiu os coraçõezinhos feitos com a mão - que aprendeu com a gente, obviamente...

As performances em Coyotes (em que Jason faz um vocal lírico excepcional) , em Beautiful mess (cheguei às lágrimas pensando na única pessoa no mundo que eu queria que estivesse comigo naquele momento) e em We all dialed in (foi muito emocionante ver aquele mar de luzes, antigamente feitos com isqueiros hoje substituídos por celulares) superaram qualquer expectativa que eu pudesse ter tido com relação ao espetáculo. Eu realmente me senti conectada com todos os que estavam ali com ele, compartilhando aquele momento tão único!

A sincronicidade novamente falou alto naquele instante pois em duas ocasiões o artista frisou "everything will be fine" - em Details on the fabric e na música incidental (se não me engano, no bis com a música Butterfly) Three Little Birds - "don't worry about a thing, 'coz every little thing is gonna be all right". Um arrepio percorreu-me quando ele disse, quase mantricamente à plateia "cantem esse refrão para uma pessoa que não está aqui com vocês". Coisas que só eu e a minha pessoa podemos entender...

Não é possível pôr em palavras tantas emoções, tantas impressões cheias de significância... Elas reduzem a experiência em si mesma que foi minha e ao mesmo tempo de todos. Renovam-me as esperanças saber que existe um artista como Jason no mundo. Ele consegue me fazer acreditar que a vida é realmente MARAVILHOSA!






sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dia da (In)Consciência Negra


Honestamente, acho uma PALHAÇADA parar uma cidade - várias cidades - para celebrar a (in)diferença. Sim, porque ter consciência da negritude é desconsiderar a consciência de ser humano, em primeira instância. Já parou para pensar no absurdo que seria ter um dia da consciência branca? Me pergunto: consciência tem cor?

Por mais que as pessoas queiram fingir, a cor negra está social e historicamente associada ao mal, ao errado, ao perverso, ao ruim. Por que? É o que precisamos descobrir. Se pensássemos na cor preta* como ausência absoluta de cor, a ideia de defender um dia em prol da ausência absoluta das outras cores seria um processo absurdamente excludente e paradoxal ao propósito que a data veicula, concorda?

Negros são os propósitos de quem defende a supremacia de uma raça sobre a outra desconsiderando que, científica e biologicamente, a espécie prevalece - a espécie humana. Negra é a consciência das pessoas que ofendem, que maltratam sem motivo, que difamam, que invejam e tentam destruir a felicidade dos outros porque não quiseram (e não puderam) encontrar o caminho para a deles própria. Negras são as línguas ferinas que desferem palavras de rancor, como se gritassem: OLHE PARA MIM, VEJA COMO SOU INFELIZ (e consequentemente sem COR ALGUMA - NEGRO - SEM IDENTIDADE). Eu lamento muito mesmo essa falta de consciência... Profundamente!

Se eu tivesse a autoridade para definir como deveria ser celebrada essa necessidade de consciência - independentemente da cor - eu apoiaria o Dia da Consciência da Alteridade - o dia do respeito às diferenças individuais, do respeito pela condição social, econômica, física, emocional, psicológica e sexual das pessoas. Poderia ser qualquer dia o que deveria ser lembrado todos os dias. Eu apoiaria o dia 13 de maio - dia da abolição da escravatura no Brasil - para que pudéssemos refletir como as relações de escravidão e exploração do trabalho - a mais valia relativa e a absoluta que ainda prevalecem nessa nossa sociedade agonizantemente capitalista, entrando na era da global informação.

Eu desejo que todos que comemoraram essa data como um feriado possam ter descansado com suas famílias, visto um filme bonito, lido um livro interessante, que tenham conversado e sorrido com amigos queridos. Desejo que possam ter visto um mundo mais colorido, um mundo onde todas as cores têm seu valor, sua razão de existir e de enfeitar a vida.




*Preto: A cor preta ou negra é a mais escura do espectro de cores. É definida como "a ausência de luz", em cores-luz, ou como "a mistura de todas as cores", em cores-pigmento. É a cor que absorve todos os raios luminosos, não refletindo nenhum e por isso aparecendo como desprovida de clareza.

domingo, 15 de novembro de 2009

Pretexto

Para um novo velho amigo

Substantivo abstrato? Masculino, isso com certeza!
Tudo é @Pretexto - para brincar, para rir (junto), verbar palavras, esquisitar a(s) língua(s). Tudo (EM)canta e transforma em sinônimo da palavra acaso, o insondável evento mágico que é passar a fazer parte da vida de alguém.

Há pessoas que o tempo leva. Outras que o presente traz. Quem será que vem e quem será que vai?

Eu quero um pretexto para conjugar verbos de ligAÇÃO: ser, estar, permanecer, ficar... Para Sempre!

sábado, 31 de outubro de 2009

Um ano, um projeto, uma REALizAÇÃO


O ano de 2009 está acabando e anuncia o final de uma década, já pararam pra pensar? Pois é... Nem sempre é bom, mas é necessário olhar um pouco para trás para ver o que já foi feito, o que foi aprendido, afinal.

A melhor coisa que me aconteceu no ano de 2009 foi saber que eu tenho uma família. Verdade. Não é como o comercial de margarina, mas é a minha - meu sangue, meu sobrenome, minha gente. Eu tenho um lar para onde poder voltar e ficar o quanto eu quiser. Brigamos? Claro que sim! Somos unidos? Não quanto deveríamos, mas o suficiente para saber que podemos suportar qualquer barra juntos, como pais, filhos, irmãos.

Sobretudo, preciso celebrar o início da minha carreira docente e meu primeiro ano no mestrado. Meus alunos tem sido fonte de inspiração e motivação para prosseguir na carreira que eu escolhi, apesar das adversidades e dificuldades. Esse ano, caminhamos e crescemos juntos. Vamos dar o nosso último passo em direção ao resto da nossa vida: Decidimos registrar nossa experiência e transformá-la em livro. Contamos com o seu apoio para que ele seja um sucesso!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Meu professor inesquecível


Quando me foi pedido como tarefa escrever sobre o professor inesquecível, senti que não seria capaz de falar dele sem antes saber onde ele está, quem ele é exatamente, afinal... É muito simples escrever para cumprir uma obrigação. Mas, para mim, escrever é um ato tão sagrado quando orar. E eu não poderia dizer a verdade por escrito ferindo um princípio tão particular...

Ainda que seja meu dever falar sobre o professor inesquecível a quem me pediu, eu o faço com prazer. E ainda compartilho com quem quer que venha ler essas linhas, o vislumbre de um mistério: Encontrá-lo – o professor inesquecível – foi uma “busca” mística e sem precedentes. Não houve esforço, não houve qualquer iniciativa para achá-lo ou classificá-lo... Mas houve enfim a descoberta: No vasculhar da memória, na sondagem das vivências, nos recônditos da alma. Lá estava... O Professor...

Uma pessoa que me deu um gato para colorir quando eu era uma criança viva, ativa e atenta, aprendendo o que é melancolia, o que é se sentir diferente, mesmo sendo tão igual... Uma pessoa que me fez sentir vergonha por não saber estudar matemática... Uma pessoa que, ensinando fórmulas algébricas – as que eu tanto odiava – me falava sobre o que existe ‘mais além’... Uma pessoa que fez jus ao meu esforço diante de uma aparente derrota... Uma pessoa que me fez gostar de uma língua que não é a minha tão fortemente que inundou meu coração de uma paixão adolescente... Uma pessoa que sentiu na minha voz alguma melodia, a quem – por empecilho materno – não pude seguir... Uma pessoa ‘de mentira’ que dizia para seus alunos carpe diem... Uma pessoa que me fez assistir Tempos Modernos... Outra que me fez assistir Lawrence da Arábia... Uma que me fez ver Freud: Além da alma... Outra que me apresentou A língua das mariposas... Uma que, em me fazendo ler Bach e pedindo para escrever resenhas, mostrou-me o quão difícil, quão duro é fazer nascer das letras, das sentenças, algum sentido que não seja fictício e que tenha, ao mesmo, algo imaginário... Uma pessoa que me encanta com sua fala, sua eloqüência – denotando compartilhar comigo amor à Língua Portuguesa que abracei tomando seu ensino por vocação – na energia que emana de cada uma de suas palavras, as quais, por tamanha admiração, solvo com gosto, mesmo quando elas, para aqueles que, em não conhecendo-lhes o valor, as entendem como prolixidade... Muitos outros encontrei nos livros... E descobri que todos eles – todos – não são apenas inesquecíveis, mas imortais, posto que se encontram na Eternidade...

Conheci outros tantos – de ambos os gêneros – todos absolutamente memoráveis... Um que, sendo incompreendido por todos, encontrou em mim a compreensão – quando pude ser capaz de ouvi-lo com todo meu ser... Um que – ainda que me parecesse obtuso e orgulhoso – foi capaz de tocar-me o entendimento tão profundamente a ponto de provocar em mim uma avassaladora transformação que mudou o curso de minha vida...

Assim, refletindo profundamente sobre como e onde encontrar o professor inesquecível, eu pude perceber - com a maturidade que me trouxeram cada uma dessas singulares experiências com cada um desses meus célebres preceptores – que serão inolvidáveis todos aqueles que me fizerem ser a pessoa que eu sou neste exato momento e a que serei pelo resto da minha vida inteira... Porque o professor inesquecível é aquele que professa a Verdade que se esconde no interior de cada um de nós.


Sei que é meio clichê, mas esse filme mostra muito do que eu sinto como professora e como eu me sinto com relação aos muitos mestres que tive ao longo da minha vida...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A maior perda da música de todos os tempos

Roubei descaradamente a ideia do Mundo Controverso para falar daquele que eu acho que foi o maior músico que já passou por esse mundo. Não tenho cacife para falar dele com mais propriedade que o @claudiobhte, mas mesmo assim, acho que devo isso ao George - porque suas músicas conseguem me tornar menos infeliz quando as ouço.

George nasceu com talento. Seu estilo é conhecido nos primeiros acordes - fez escola. Até mesmo um outro guitarrista também muito talentoso (que à propósito e aliás foi um de seus melhores amigos) - Eric Clapton - imitou e muito bem, diga-se de passagem. Não acho que era virtuoso como Hendrix, mas teve a "sorte" de ter sido um Beatle.

O que eu posso falar sobre a vida dele, todo mundo já sabe: era o "beatle tímido", hipponga (não haveria hoje centros esotéricos baseados nas filosofias orientais, especialmente a hindu, se não tivesse sido ele, através dos Beatles)... Não era gatão das mulheres como foi Paul ou tão inteligente e espirituoso quanto John, mas sem ele, os Beatles não teriam sido os Beatles... Sua maior virtude não são os acordes da guitarra absurdamente característicos, mas seu dom com a palavra. As composições de George são maravilhosas, indubitavelmente.

O fim dos Beatles - tenho pensado nisso seriamente à propósito dessa onda beatlemaníaca no ar - foi uma bênção! O talento de Harrison ficou por muito tempo varrido para debaixo do tapete. Se os Beatles não tivessem se separado em 1970, possivelmente o mundo não teria sido brindado com um dos álbuns mais fabulosos já gravados: All things must past. Não sou eu que estou dizendo - a crítica especializada considerou na época e até hoje merece esse reconhecimento.

Muito antes de Michael Jackson e Bono Vox, o ex-beatle viu que seu talento e seu nome poderiam minorar o sofrimento das pessoas. Pela primeira vez na história da música, reuniu artistas para angariar fundos para Bangladesh (que passara pelos horrores de uma guerra por sua independência). Coldplay ser acusado de plágio não foi privilégio algum. Muitos anos antes, o guitarrista enfrentou o banco dos réus para defender sua obra.

Ficou famosa a história do Beatle ceder sua mulher Pattie Boyd para o amigo Eric Clapton (que teria composto Layla para ela). A verdade é que ninguém buscou e conseguiu entender o que é o amor como George: Give me Love, I dig Love, This is love, Love comes to everyone, I really love you, Learning how to love you são só alguns exemplos do que estou tentando dizer.

O filho de Hari (Krishna) conheceu o amor e o traduziu como verbo intransitivo (que dispensa complemento pois é completo em si mesmo).


O álbum 33 & 1/3 é o meu predileto.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O lugar onde eu fui feliz

Me sinto só. O ar que eu respiro são as letras. O meu sangue, as palavras.

Hoje me assaltou um complexo de Dorothy: quero voltar para o meu lar. Mas, não, não tenho sapatinhos vermelhos...

Elegi um lugar onde a memória pudesse me levar sempre que eu quisessse. Não fiz backup. Deletei... para sempre.

Lembrar não é o mesmo que não esquecer. Esquecer é desistir de lembrar - definitivamente.

Eu desisto de lembrar porque eu agora entendo que o lugar onde eu fui feliz nunca existiu.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Da arte de ter amigos

Para uma nova velha amiga

Muita gente se diz impressionada com a quantidade de amigos que eu tenho. Difícil um dia sair a passeio e não esbarrar com um de meus amigos. Ainda mais depois do advento das redes sociais: o número cresceu em progressão geométrica. Mas sobre ter amigos, uma experiência da minha mãe deu-me uma lição inesquecível...

Minha mãe nem era balzaquiana quando tudo aconteceu. Na flor das suas 29 primaveras, longe da família, confinada em uma cidadezinha minúscula do Vale do Aço, sua melhor amiga era sua (vi)Zinha. Mamãe não fazia nadinha sem consultar sua (amiga)Zinha - esse era o apelido carinhoso que ela tinha: Zinha. Trocavam receitas, fofocavam... Minha mãe sofria muito longe da família dela e punha sob os ombros da amiga seus lamentos, mágoas, lamúrias. Ingenuamente (eu quero acreditar), a amiga de minha mãe caiu na bobagem de confessar, no salão de beleza do bairro, para uma vizinha da rua, que não aguentava mais os choramingos de minha mãe. A dona do estabelecimento, "amiga" da minha mãe (fiel cliente), contou tudo para ela... O resultado disso tudo fez da minha mãe quem ela é hoje e um pouco do que sou agora. Uma amizade (?) foi destruída por uma fofoca "bem-intencionada". Em quase 30 anos, minha mãe jamais teve outra amiga ou amigo novamente. Vi o trauma da minha mãe e nunca pude compreendê-lo plenamente, até hoje.

Para entender minha mãe eu precisei entender o que quer dizer ter um amigo e perdê-lo. Ter um amigo e ser traído por ele. Ter um amigo e ser magoado por ele. Ter um amigo, amá-lo para depois odiá-lo até a mais completa indiferença. Devo dizer, com extrema honestidade, que essa dor não é apenas indesejável, mas inolvidável. Quem é ferido por um amigo jamais esquece. Jamais...

Para quem pensa que eu tenho muitos amigos, lamento causar desilusão, mas devo dizer que não os tenho. Mal me conheço e eles não me conhecem - ainda que pensem convictamente o contrário. Deus, tanta gente me lê, fala comigo, sorri, brinca, sem nunca perguntar sobre as minhas angústias, meus problemas... Estamos - eu e meus amigos - todos sós. Desconhecidos uns dos outros. Ignorantes de nós mesmos...

A arte de ter - colecionar, como números - amigos tornou-se completamente banal. Pessoas se medem pelo tanto de "amigos" que elas têm - e fazem de tudo para tê-los e mantê-los... Mas são poucos os que se dedicam à arte de sê-lo...



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Há 10 anos

Faz 10 anos que eu amo a mesma pessoa. Consigo lembrar como foi que tudo começou... Lembro de vários detalhes, de várias sensações impossíveis de se reviver.

Há 10 anos eu amo a mesma pessoa. Não é verdade. Ela não é a mesma pessoa, tampouco eu. Em 10 anos, somos outros - mais maduros, talvez. Mais conscientes, quem sabe. Mais semelhantes que a 10 anos atrás, com certeza.

Há 10 anos uma pessoa faz parte da minha vida tão profundamente que é impossível pensar a vida sem ela. Por que? Nem se eu soubesse diria - só sentido eu sei, sem saber.

Dizer para ela eu te amo é difícil. Não porque ela nunca me disse de volta - e talvez nunca diga. Mas porque me ensinou que dizer sempre é mais fácil que sentir e demonstrar.

Há 10 anos convivo com a pessoa mais extraordinária que eu já conheci: um poço de sinceridade, lealdade e fidelidade. Jamais conheci quem fosse mais sincero nessa vida.

Para uns, conviver com ela é um martírio - não perdoa facilmente um deslize, uma falta - por menos grave que seja. Não hesita em ser "duro" com quem é "mole". Mas no fundo tem um coração que é feito de açucar - sempre se derrete diante do sofrimento alheio (é o coração mais compassivo que eu já conheci).

Se houvesse um sobrenome para essa pessoa, o melhor seria justiça. Jamais seria capaz de agir injustamente com quem quer que fosse. É honesta até nas mínimas coisas. Por isso, não usa palavras em vão - compreendo isso muito melhor hoje que há 10 anos atrás.

Há 10 anos confiei meu coração a essa pessoa. Depositei nela tantos sonhos, esperanças e expectativas... Hoje eu posso dizer que não me sinto no direito de pesar seus ombros com tanta responsabilidade.

Um cantor que a gente gosta muito - aliás, se não fosse "a minha pessoa", jamais o teria conhecido - Rufus Wainwright canta um verso maravilhoso que diz assim: "Life is a game and true love is a trophy". De fato, se o amor é um jogo e o amor verdadeiro é um troféu, hoje, depois desses 10 anos, que mais eu poderia fazer senão reconhecer como eu sou feliz por ter a chance de sentir por ela aquilo que a gente conhece sob o nome de amor?


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

No regrets


Arrepender-se em português é um verbo reflexivo (também chamado pronominal). Filosoficamente, poder-se-ia entender que ninguém pode sentir arrependimento alheio. É como identidade - intransferível. A presença do pronome define o verbo - identifica completamente a ação com quem a realiza - o sujeito com seu objeto. E como expressar em palavras o que arrepender-se quer dizer?

O recurso mais provável é tentar buscar na etimologia algumas explicações. Assim como a palavra saudade, arrepender-se é um verbo que não tem uma tradução precisa em outros idiomas. Vindo do latim repoenitere, (seu sentido se relacionaria à reposição de algo ou alguma coisa "que falta"; re-poenitere: repor a pena - poena = dor -, sofrimento) a palavra está arraigada à cultura judaico-cristã em que o arrependimento é o "merecido castigo" autoimposto do pecador. Ninguém impõe este sofrimento a ninguém. Ele surge única e exclusivamente para torturar a mente e o coração daquele que se acusa de alguma falta (pecado).

O termo regret em inglês, que teria origem no francês regreter, que por sua vez teria vindo do germânico grāta, não se relaciona com o sentido da origem latina do verbo arrepender-se, mas expressa que o arrependido precisa não apenas de autopunição, mas expor seu sofrimento ao mundo (que explica a origem germânica em grāta, que significa expressar profundo sofrimento com lágrimas).

Assim, poderemos entender o ato de arrepender-se como uma atitude "cristã". Mas, por que? A autopunição apaga ou remove a falta cometida? Em que o sofrimento, o lamento por um "pecado" cometido ajudaria? Por que então nos autoimpomos tal castigo?

Arrepender-se é sofrer duas vezes, como se o sofrimento em si mesmo já não doesse o suficiente. Entretanto, por outro lado, pode representar um lampejo de humildade, de reconhecimento das nossas fraquezas, de que somos humanos e erramos...

Reconhecer falhas e erros em nossas atitudes nos torna (mais) humanos. Mas nos autoflagelar por elas, nos desumaniza. Porque ser humano é ser capaz de aprender - com os erros, com os acertos, observando, agindo - reponsabilizando-se pelos próprios atos, conscientemente.



quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O que mais machuca


Uma amiga muito querida está namorando (virtualmente) um americano. Conto de fadas: cara gato, com uma história triste. Se diz apaixonado e quer casar com ela. Ela está nas nuvens. Feliz como nunca! (E quem, no lugar dela, não estaria?) Ela é uma pessoa acima de qualquer suspeita, tem um coração enorme... O nome dela praticamente é amor! E eu estou morrendo de medo - por ela.

Às vezes eu fico imaginando porque é que a gente se deixa levar por uma ilusão, porque a gente se engana com as pessoas... Acho que por mais que no fundo a gente saiba que tudo não passa de uma grande mentira quer acreditar que existe amor perfeito, amizade perfeita. E nem é só por isso - precisamos manter o nosso ego bem massageado - queremos estar rodeado de amigos, sermos mimados, reconhecidos como maravilhosos, lindos, perfeitos! E quem se importa com a verdade? Nem nós, nem os outros. Fingimos uma mentira, vivemos a mentira - para nós mesmos. E ninguém - ninguém! - se interessa em olhar para dentro de si para entender porque queremos preencher os vácuos internos com mentiras. É isso o que mais machuca...

Minha amiga me disse que está perdendo a hora, compromissos marcados - tudo por causa do romance virtual. Minha resposta foi: Você pode perder tudo na vida - menos dinheiro e juízo! Foi uma resposta jocosa. Se eu tivesse falado seriamente e do fundo do coração, teria dito: você pode perder tudo - hora, dinheiro, qualquer coisa - menos a SI MESMA.



Edit: o clip não tem nada a ver com o post. eu só me lembrei da música por causa do título dela que é o mesmo do meu texto. o clip é bem triste... se vc é sensível, prepare-se pra dar uma chorada básica.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Não faz parte do meu Xou



Não sei como ainda me impressiono com a capacidade absurda que o ser humano tem de desrespeitar seu semelhante. Ainda que o semelhante em questão não se ache tão semelhante assim, ninguém tem o direito de ofender e humilhar uma pessoa publicamente - NINGUÉM.

Disse, por ocasião do "barraco" formado pelos polêmicos tweets de Xuxa e Sasha, que o Twitter está se tornando um gueto de pessoas absurdamente insuportáveis. O motivo - erros gramaticais. Simples erros de ortografia, de digitação, nada que merecesse tanto estardalhaço. Mas as pessoas não perdem uma ocasião para destilar o veneno da humilhação, do desprezo e do desrespeito.

A Internet e as redes sociais são, hoje em dia, mais do que instrumentos de comunicação. São, sobretudo, uma nova (e creio eu definitiva) forma de estabelecimento de relações humanas. Daqui há alguns anos, ninguém mais achará tão extraordinário que namoros virtuais acabem em casamento. O que me espanta é ver como a maldade toma proporções astronômicas quando atinge esses espaços - e ela sempre parte de pessoas covardes, pois sabem que a pessoa a quem estão desrespeitando e ofendendo não poderá fazer muita coisa contra porque, afinal, Internet é terra de ninguém - pode-se falar o que quiser, não impora que fira, que machuque, que faça mal. Desde que as pessoas riam e voltem seus olhares para os atiradores dos dardos venenosos, sem se importarem com o alvo, vale tudo! Uma fofoca, uma palavra "maldita", espalham dor, angústia e sofrimento. Não poderia, do mesmo modo, uma palavra "bendita", um pensamento elucidativo, espalharem alegria, amor e amizade? Eu procuro e quero somente essa última opção.

domingo, 16 de agosto de 2009

Variações sobre o tema

Faz tempo que estou pensando em criar essa coluna no blog. Na verdade, meu blog passou por muitas fases: uma release de músicos indie, mimimi de vida pessoal, filosofia de ponto de ônibus... Mas eu espero que você entenda que é assim que eu sou: uma mulher de fases (foi sem querer fazer alusão à música dos Raimundos - foi inevitável!). E sou desorganizada também. Mas pretendo - juro que não vai ser apenas pretenção, vai se tornar realidade - criar um domínio bem organizado, um canto para você vir não só filosofar, saber de músicas, filmes e livros, mas outras coisas também. Dentre elas, apreciar (ou não) uma receita diferente! Sim, diferente. Não vou postar aqui receitas comuns. Sempre vão ser diferentes - mesmo que sejam triviais. Essa coluna vai se chamar "Variações sobre o tema". A ideia inicial é testar uma receita diferente - com ingrediente esquisito/raro - ou uma receita comum reformulada - aliás, toda receita que cai na minha mão nunca fica igual. Eu SEMPRE mudo alguma coisa. Às vezes dá muito certo, às vezes muito errado.

Hoje estreiam a coluna "Variações sobre o tema" as blogueiras fofas-amadas-idolatradas-salve-salve, Adriana Simizo (Kanten) e Ana Sinhana (AnaSinhana). A primeira é crafter pro de gêneros alimentícios - tudo que ela faz é de comer com os olhos primeiro de tão lindo! E a segunda é uma crafter maga dos tecidos - faz coisas lindíssimas! Quem sou eu para ter habilidade que elas têm! Eu as admiro e sigo pelo Twitter.

Então... Elas toparam testar a receita de bolo de chocolate com ingrediente esquisito: MAIONESE! A receita original faz parte de um dos livros de culinária da Hellmann's. Quando tinha promoções de juntar rótulo para receber, sempre participava. Tenho vários aqui da União também... Essa receita, na minha opinião, dá o melhor bolo de chocolate que eu já experimentei: uma massa úmida, por incrível que pareça, leve, fofinha. Eis o que a minha versão levou de diferente: uma colherinha de chá de cardamomo (depois que "descobri" essa especiaria, uso em tudo pra testar - já usei em pão e iogurte; hoje no bolo), açucar de baunilha e cacau em pó proporcionalmente medida com achocolatado Toddy sabor Suíço. E, obviamente, a Maionese Hellmann's. Fui testar também a minha forma de silicone jamais utilizada há mais de um ano esperando uma oportunidade...



Ih, deu problema: a forma era menor que a quantidade de massa. Resultado: derramou. Ainda bem que eu coloquei a forma de silicone dentro de um tabuleiro retangular, senão ia ser uma lambança só dentro do forno e minha mãe ia endoidar! Não sei se foi a forma ou se a temperatura do forno não estava adequada... O bolo não assou por igual. E levou mais tempo que o indicado na receita.

Depois do teste do garfo, tirei o bolo do forno, esperrei esfriar um bocado e desenformei. Não é que ele saiu inteiro sem muita dificuldade? Forma de silicone rocks a lot! O glacê da receita original é HORRÍVEL - muito doce, enjoativo... eca! Pretendi fazer uma receita antiga da minha mãe, mas não encontrei. Então, fiz uma mistura de creme de leite e chocolate meio amargo derretido em banho maria. Como não gosto de chocolate granulado, enfeitei com bolinhas de chocolate preto/branco. Não tá uma brastemp, mas acho q tá gostoso!



Teste agora você e venha me contar! ;)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Pequenos prazeres, grandes alegrias


Viver. Eis uma coisa que a gente faz "sem querer". A gente nasce, não tem escolha. Escolheram pra gente - nossos pais (nossa mãe, principalmente). Há as coisas que fazemos automaticamente - respirar, por exemplo. Outras que também fazem parte da manutenção da vida - como comer, andar, dormir - fazemos conscientemente.

Existe uma coisinha que faz com que tudo isso funcione e também com que a gente faça de tudo e mais um pouco pra manter tudo em ordem: prazer. Sim, prazer... A gente PRECISA de algo que dê graça à vida, que faça "valer a pena", que nos faça continuar. Alguns precisam de muito: (muito) dinheiro, viagens, festas, carros do ano, restaurantes caros, comidas requintadas, luxo, poder... Mas existe uma pequena parcela da humanidade que vive de quase nada (e para entender o que digo é necessário rever o nosso próprio conceito sobre o que é o "nada") - uma manhã de sol ou uma lua prateada; o silêncio profundo ou a melodia dos pássaros nos galhos das árvores; a companhia dos amigos (até mesmo de um cão ou um gato) ou a solitude serena...

Querer é nossa mola propulsora, devemos admitir. Mas é triste ser seu escravo. Eu quero. Desde que nasci, quero - isso, aquilo... Mas a cada dia que passa, eu busco querer menos. Ou antes, querer com qualidade. Querer não só o que me basta, mas querer o que é bom para mim e que não faça mal ao meu semelhante - Querer Bem!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Quem me ensinou a rezar?


Nas últimas semanas, eu tenho revivido minha vida... 10, 20, quase 30 anos atrás. A memória é mesmo uma coisa absolutamente fantástica. Como é possível apreender sensações, visões nítidas (às vezes nem tanto, apenas flashes) em forma de recordação? Um cheiro, uma carta, uma fotografia - trazem de volta o passado que quando é lembrança, está fora do tempo - se torna presente e projeta o futuro.

Eu me lembrei e tenho me lembrado de muitas coisas... Não riam de mim, mas lembrei de coisas que muita gente duvidaria. Da pessoa que eu fui há tanto tempo, das coisas que eu fiz e que me arrependo até hoje, das coisas que eu quero me perdoar e estou me perdoando...

Desde muito pequena, tinha fascinação pelas coisas espirituais - as coisas de Deus. Minha lembrança mais remota à esse respeito, me levam à imagem da minha bisa Ana. Ela rezava o terço feito de contas de sementes de Lágrima de Nossa Senhora. Ela balbuciava baixinho ajoelhada. Minha mãe era muito doente naquela época e quem cuidou muito de mim foi a minha tia-avó (Anita, em homenagem à mãe, minha bisavó Ana) e minha madrinha. Eu macaqueava, na santa ingenuidade dos meus 3 aninhos. Bisa, além de rezar sempre, duas vezes ao dia, gostava de ver o movimento da rua, os carros subindo a rua Santa Quitéria (no Bairro Padre Eustáquio) e eu ficava junto dela sempre. Mas não foi bisa que me ensinou a rezar - muito embora ela tenha me deixado (uma espécie de herança, pode-se dizer) seu terço de contas lágrima de Nossa Senhora para mim.

Tive a sorte de ter tido uma infância numa cidadezinha do interior. Rua plana, vizinhos todos amigos, criançada da mesma faixa etária... Há duas quadras da minha casa de paredes azul e rosa, ficava a igreja. Eu me levantava todos os domingos, me arrumava e ia à missa. Minha mãe tinha outra religião, que mais tarde acabei seguindo, mas eu era uma criança católica. Queria saber tudo da Bíblia, o que era Deus essa coisa de Adão e Eva e outras coisas que a gente aprende no catecismo. Eu tinha uns 6 anos. Lembro que minha mãe adoeceu e teve que vir se internar na capital... A vizinha, que era muito amiga da minha mãe e tinha filhos da nossa idade, era muito carinhosa e eu pedi a ela, por favor, para me ensinar a rezar o Pai Nosso e a Ave-Maria para minha mãe sarar. Eu aprendi muitas coisas assim. A maioria delas não aprendi com meus pais. Meus valores, inclusive, foram quase todos autoconstruídos. Filha única (não tenho irmãs, só irmãos - dois), eu fui e ainda sou muito solitária...

Rezar é muito bom. Não devia ser obrigação, mas antes de tudo um prazer. Não é uma coisa mecânica - tipo escovar os dentes, por exemplo. Devia ser uma necessidade... Quando como a gente tem fome e precisa comer. Rezar é alimento do espírito, da alma. E minha alma faminta me pede pra rezar - todas as noites, todos os dias...

Vou deixar pra vocês uma "reza" muito bonita que eu aprendi hoje:

"Amado Pai, quaisquer que sejam as condições que eu tenha que enfrentar, sei que elas representam o próximo degrau na minha evolução. Aceitarei de bom grado todos os testes, porque sei que dentro de mim estão a inteligência para compreender e o poder para superar". Paramahansa Yogananda


segunda-feira, 27 de julho de 2009

ArrumAÇÃO

Na minha velha casa nova há muito o que fazer. Tanta coisa eu deixei, tanta coisa eu trouxe. E a muDANÇA me fez remexer em meus pertences. Papéis, fotografias, roupas e mais roupas. Guardados, intocados. Meus, mas não me pertenciam mais já há muito tempo. Quanta coisa eu juntei em pouco mais de um ano e quanta coisa eu deixei há tanto tempo que eu nem sabia? Resolvi jogar TUDO fora. Dar o que me serve, mas não uso. O que não me serve mas que pode servir para alguém...

Várias coisas me desfiz sem olhar duas vezes. Mas encontrei tantas coisas das quais não consigo me desapegar... Cartas da minha melhor amiga, provas do tempo do colégio, carta dos meus penpals, fitas k-7 gravadas para mim. Não tive coragem, não tive... Havia uma fita que meu namorado gravou pra mim quando éramos apenas bons amigos. Uma seleção de músicas memoráveis para ele, que passaram a ser para mim... Eternamente.

Lado A

Giz - Legião Urbana
Border town - The Walkabouts
My aching heart - Ofra Haza
Solitare - Carpenters
Superstar - Carpenters
Your song - Elton John
Skyline Pigeon - Elton John
Meu mundo e nada mais - Guilherme Arantes
Êxtase - Guilherme Arantes
Cassiel's Song - Nick Cave
Vincent - Don McLean

Lado B

And more again - Love
Jealous guy - John Lennon
A whiter shade of pale - Procol Harum
About you - Jesus and Mary Chains
Let it grow - Renaissance
Lotta Love - Neil Young
What's the matter here - 10.000 Maniacs
As tears go by - Rolling Stones
Angie - Rolling Stones
Tears - Rush
Where the wild roses grow - Nick Cave
Shanti Mantra - Ravi Shankar

Querido, essa seleção memorável eu guardarei pra sempre, sempre... Enquanto eu viver, vou saber que essa é sua música predileta.

Ainda há muito que ainda não vi. Muito que ainda gostaria de não ver para não ter medo de não deixar ir, de me apegar. Mas essa semana, que é a última das férias, me pede para agir. Há muita coisa que me aguarda até a próxima sexta-feira. Tenho que abrir espaço - não só o físico, mas mental, para as coisas novas nascerem. Porque é tempo de criATIVIDADE!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Novo tempo

A gente caminha... A gente segue em frente. Mas, às vezes, o que a gente mais precisa, ficou lá pra trás. É preciso ter humildade, é preciso ter mais que isso: coragem. Voltar atrás e recuperar o que foi "perdido". Nada foi perdido de fato. Sempre esteve ali. Bastou experimentar o gosto amargo do abandono, da solidão...

Não sou muito emotiva, ainda que possa parecer. Mas sou sensível... Tão sensível quanto um papel feito de arroz - me quebro, me parto, me machuco ao mais leve toque. E mesmo a felicidade, a alegria me perturbam, me incomodam, porque não cabem dentro de mim.

Estou onde deveria estar - para aprender, para valorizar, para crescer. E vou voltar para onde eu nunca saí...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Carta para uma criança




Para Lucas Belli

É difícil enxugar as lágrimas de uma criança quando a dor que ela sente não é pelo tombo da bicicleta, da topada no futebol; porque essa dor é daquelas que não dá pra curar com merthiolate - que hoje em dia nem arde! - e nem soprando e dizendo "antes de casar sara" vai fazer melhorar...

Sabe, criança... A gente cresce e esquece as coisas boas da infância - a pureza, a inocência (ninguém sabe perdoar melhor que uma criança uma ofensa ou uma briga feia), a alegria com as coisas mais simples da vida... Adulto cresce achando que agora ele vai poder tudo que antes não podia. Esqueceu de fazer a coisa mais importante que a gente veio fazer no mundo - APRENDER. Adulto acha que sabe tudo e não sabe nada, não entendeu, não aceitou, não compreendeu, não aprendeu... E gente grande machuca uns aos outros e nem nota que machuca você também, eu sei.

Posso te dar um chocolate ou prometer te levar no parque para fazer você esquecer... Mas eu sei não vai ajudar. Já fui do seu tamanho e fizeram isso comigo. Nem assim parou ou doeu menos. Assim, o melhor que posso fazer por você, minha criança, é dizer a verdade, mesmo temendo que ela faça doer ainda um pouco mais... O que faz doer (e me atrevo a dizer que sempre) é o amor: demais - o que você tem para oferecer e não aceitam ou rejeitam - e de menos - o que você não recebe, mesmo merecendo tanto...

Queria, do alto da minha sabedoria de gente grande, ser capaz de indicar o exato remédio que vai fazer sarar seu machucado. Mas eu não sei... Nem o que dizer, nem o que fazer. Mas, olha... A dor do amor é uma dor bonita, sabe? É a que faz a gente saber que tem um coração. Portanto, por mais estranho que pareça, você não deve sofrer por isso. Ter um coração é uma coisa maravilhosa! Tem muita gente que parece ter pedra no lugar... Se você chora porque está doendo, é porque você tem um e isso te torna especial.

Criança, eu sei que dói demais crescer. E posso dizer que essa dor é uma professora muito brava e exigente. Se a gente não entende a lição, ela vem toda rigorosa! Ela não faz por mal e nem quer que a gente sofra. Ela só quer ensinar... E aprender, meu menino, é a coisa mais legal que a gente pode fazer a vida inteira!




sábado, 4 de julho de 2009

Meme das Coisas que eu Amo

Hoje eu estava tentando escrever para a promoção do site da Dafne e me peguei lembrando da Noviça Rebelde. Acredite ou não, nunca tinha assistido até bem pouco tempo atrás. E acho que ele veio numa hora certa pra mim... Há muitas mensagens internas que cabem perfeitamente no momento presente que estou vivendo: quando Deus fecha uma porta, vai abrir uma janela. Que pessimismo pode vencer uma crença tão forte, aquilo que nós podemos chamar de fé?

Daí, aqui na internet, você sabe... Uma coisa puxa a outra. E encontrei:

Um vídeo com a versão brasileira da canção My favorite things, que virou As coisas que eu amo - mandei para minha amiga Claudinha (do Via Tarot)



E achei um site chamado Remixando. Há uma sessão em que as pessoas postam suas experiências cotidianas. Em Pílulas da Felicidade, acabei encontrando a fórmula da Maria Cristina - Identificação absoluta...

Claudinha acabou fazendo um post em um outro blog que ela mantém - Pitacos da Morgye - sobre as coisas que ela ama. Então, resolvi criar um meme das coisas que eu amo. Funciona assim: liste 10 coisas que você ama que fazem você esquecer a tristeza; poste no seu blog; indique mais 5 pessoas para fazer o mesmo.

Vamos começar a brincadeira? As coisas que eu amo (não necessariamente é a ordem do que eu amo mais, ok?):

1 - Escrever - é a coisa que me faz sentir melhor... meus dedos bailam nessas teclas e as palavras se desenham na tela, prontas para serem lidas, sentidas e compreendidas. Amo!
2 - Gargalhar até a barriga doer - não existe nada melhor mesmo! eu rio de coisas tão bestas, às vezes sem a menor graça para a maioria das pessoas. é tão bom ter bom senso de humor! as pessoas que eu amo têm isso em comum.
3 - Pôr-do-sol (na praia, na praça, na montanha, em qualquer lugar) [edit] e arco-íris
4 - Sopa escaldante e cheirosa
5 - Um capuccino (sabor de baunilha, preferencialmente) com chantilly num dia frio
6 - Cozinhar para as pessoas que eu gosto
7 - Sorriso de criança
8 - Carinho de bicho - gato, cachorro... qualquer bicho me deixa feliz!
9 - Ler (e na internet fica fácil fazer as duas coisas que eu amo tanto! rs rs rs)
10 - Ficar feliz junto - ah, é muito gostoso celebrar a felicidade do outro sendo a nossa! É a melhor coisa que existe.

Indico: Dafne, Nana, Vitoria, Geek_Girl e Thais

Edit: não sei pq burrice da minha vida a Gaby não tá aqui. tanto q eu até fiz uma chamada no Twitter pra ela vir ver o meme e fazer o dela... perdão, amiga! espero poder ver a sua listinha logo logo...



quarta-feira, 1 de julho de 2009

Quero ser Guru


Se não fossem os Beatles, o Ocidente não saberia o que esse termo originário da cultura indiana significa. Seu sentido, então, hoje está completamente banalizado: o guru da moda, o guru disso o guru daquilo... Etimologicamente, vem do sânscrito (considerada a mais antiga das línguas indo-européias) e é formada pelas sílabas gu - que significa sombra - e ru - que significa aquele que dissipa. Grosso modo, guru nada mais é que professor. O fato é que no Hinduísmo (agora tão caricaturizado pela maldita novela das oito), o guru é muito mais do que um simples instrutor. O guru é o único que pode salvar o discípulo da ignorância, conduzindo-o a liberdade - ou a Deus, em outros termos... Assim, o guru é "aquele que deve ser seguido". Portanto, sem discípulo, não existiria guru, não é? Pois é...

Há muito tempo tenho tido contato com gurus e me desapontado profundamente com eles. A crença de que um guru verdadeiro nos libertará do sofrimento é tão tentadora quanto morfina para o canceroso em fase terminal. A experiência tem me mostrado que as pessoas realmente não sabem o que de fato é um guru. E os gurus também não sabem qual é mesmo o seu papel no mundo. Ser um guru na Índia deve ser comum e natural - como ser padre no ocidente, talvez. Mas ser um guru de ocidentais significa viver num luxo absurdo e ser venerado, adorado como um ídolo pop - nenhuma diferença entre os fãs da Madonna e os seguidores ocidentais de guru. Nunca vi um favelado miserável seguir guru. Quem segue guru já foi para os Ashrams da Índia ou dos Estados Unidos pelo menos uma vez na vida. E que pobre ganhador de salário mínimo brasileiro pode pensar em realizar uma extravagância dessas? E quem em nosso país subdesenvolvido pode sustentar com dakshina a obra de um guru? - nenhuma diferença entre os ricaços que doam para instituições "espirituais" orientais e os pobres que dão o dízimo para as igrejas evangélicas.

Controvérsias à parte, acho que aprendi muito com todos os gurus que passaram pela minha vida. Aprendi que os ensinamentos de um guru (falso ou verdadeiro, realizado ou não, não importa) não difere muito uns dos outros em conteúdo - apenas na forma; que a equanimidade é o caminho da paz interior; que servir, ser doce, justo, honesto, bom, amoroso não são apenas deveres morais de todo ser humano, mas constituem sua verdadeira natureza; com forma, sem forma, com nome ou sem nome, existe "algo" que está além da compreensão comum - que guia nossas vidas, transformando-as, conduzindo-as, por mais que tentemos colocá-las segundo nossas próprias leis e, quando nomeado, é doce em qualquer idioma; que todos os templos, todas igrejas, todos os espaços que cultuem isso que prefiro não denominar é capaz de nos deixar mais fortes para enfrentar os obstáculos da vida e que devíamos sempre frequentar algum com o qual nos identificássemos.

Sobretudo, aprendi que esses seres "especiais" que obtêm da humanidade ordinária o título de mestre espiritual recebem tudo pelo qual todo ser humano - ignorante, culto, rico ou pobre - sempre desejou: atenção, cuidado, carinho, respeito e amor. Por isso, vou achar um caminho para me tornar guru. Mas pretendo ser um guru diferente. Não quero que me sigam. Não quero ser exemplo, não quero levar ninguém a lugar nenhum. Quero que cada um se ache, como eu quero me encontrar. Quero que todo mundo desperte a força que eu quero desperta em mim. Quero que cada um coloque à prova seus valores e supere as dificuldades como eu tento fazer todos os dias. Quero que todos encontrem a alegria de viver, mesmo que ela pareça não existir, porque eu sei que ela existe e que só é preciso encontrar. Não quero que ninguém me faça cerimônias devocionais. Quero ser grata pelo amor que sinto profundamente pelas pessoas e que o respeito que eu almejo brote dele, mutuamente. E sinceramente desejo, acima de tudo, que cada um seja o guru de si mesmo!

domingo, 28 de junho de 2009

Oásis

Para Michael Jackson (In Memorian)

A morte de Michael Jackson chocou todo mundo. Em várias declarações, ouvi que ele sempre foi o tipo de pessoa que ninguém imagina que vai morrer. O impacto da notícia tida como improvável é o que nos indica quão frágil é a vida; e ainda que possa não parecer, tão rara... Tão rara... Quase sempre é árida, seca. E comemos areia que, às vezes, também entra em nossos olhos, machucando, cegando... Mesmo assim, todos queremos viver, continuar respirando esse ar denso e torturante. E ele queria, como queria...

Ontem, vi um especial da vida de Michael feito em 88. Puxa, eu realmente fiquei emocionada! Por que as pessoas não tentaram vê-lo daquela forma bonita quando houve aqueles escândalos em torno de sua vida pessoal? Por que agora - só agora que ele já está morto e não pode ouvir nem ver o quanto ele era realmente admirado - as pessoas falam essas frases feitas? Prefiro não comentar...

A vida dele pode parecer, para muita gente que acha que fama e dinheiro resolveria a aridez da vida, uma maravilha. E tudo indica que não era. A dor da alma passa para o corpo. E que recurso uma pessoa pode achar que não seja uma droga - Demerol, Rivotril, Fluoxetina, Paroxetina - qualquer uma que possa aplacar uma dor surda e, ao mesmo tempo, gritante? Quem pode condenar alguém por querer fazer com que a dor cesse, quem pode?

Nas últimas semanas, tenho sofrido silenciosamente. Analgésicos e calmantes tem tido, para mim, um tremendo poder de sedução. Eu resisto o quanto posso. Mas me entrego quando dói demais. Ninguém deve ficar com dor - ninguém.

Existe uma dor que não sara com remédio - é a dor da solidão, a dor de não saber o que fazer quando não há o que fazer, a dor de não saber esperar, de não ter confiança nem fé no amanhã, a dor do niilismo, da falta do "algo a mais" que a gente nem sabe o que é exatamente.

Hoje estava pensando num remédio pra essas dores. Acho que encontrei um que talvez sirva para quem possa precisar. Ele não tem preço, não se compra em farmácia. Ninguém pode nos dar - só a gente mesmo, quando quiser, quando precisar. Ele está dentro de nós, numa parte do nosso ser que a gente dá o nome de memória e é um derivado da lembrança. Meu remédio é aquela coisa mágica que faz os Dementadores desaparecerem, que conjura o Patrono - uma lembrança boa, a melhor que pudermos imaginar...

[Um dia de quase outono. Uma praia deserta, o cheiro do mar e barulho das ondas batendo nas pedras. Uma tremenda suavidade e um sentimento de eternidade indescritível...]

Alvorecer com a Pta. Negra ao S do Morro da Armacao de Itapocoroi (Penha - SC) no través


Dei a ele (esse meu remédio) o nome de Oásis. Seria algo como o nome comercial. O nome real - o "composto ativo" - tem quatro letras...

Descanse em paz, Michael!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A finalidade da minha existência

Um dos clássicos da MPB, favorita de muita gente, a canção "O que é, o que é?", do Gonzaguinha nos traz uma bela reflexão sobre uma palavra - um substantivo, um verbo: vida, viver. Ele e todos que gostam de cantar essa música, preferem a "pureza da resposta das crianças". Outros, todavia, preferem a "objetividade" da resposta de Schopenhauer: "Viver é sofrer". Ambos preocuparam-se em definir o que é aquilo que chamamos vida, dar um conceito sobre o viver. Mas nenhum dos dois se ocupou em responder sobre a finalidade da vida.

Particularmente, gosto da letra de Gonzaguinha - otimista. Entretanto, não posso negar que Schopenhauer - pessimista - me soe muito mais realista. Desde o momento que chegamos nesse mundo, sofremos. Somos arrancados do útero de nossas mães - quentinho, seguro - e somos obrigados a respirar! Ninguém se lembra como é a sensação. Deus deve ter sido muito generoso por não deixar que a gente se lembre disso pois me parece ser um processo muito, muito doloroso... Já parou pra pensar quanto sofrimento passa um pequeno ser apenas por (lutar para) viver? É dor de barriga, dor dos dentes nascendo, uma série de doenças e dores expressas no choro estridente de quem não sabe ainda suportar em silêncio a dor física.

Hoje, não por acaso, pensei em todas as dores sofridas - físicas e psicológicas - pelas quais passei nessas mais de 3o primaveras: os joelhos ralados das quedas, o dia em que eu quebrei o braço esquerdo (anos mais tarde quebraria também o direito), a primeira (única e última) surra que eu levei do meu pai... As doenças: catapora (ainda me lembro do corpo febril e das feridas que coçavam terrívelmente), rubéola, cachumba... e os inúmeros resfriados (e as injeções de Bezetacil). Depois, as terríveis cólicas menstruais e as dores mais excruciantes do mundo: enxaqueca crônica, cólica renal e... a dor de um aborto espontâneo. É tanta dor física que eu já experimentei que costumo dizer que quando eu morrer, nem vou saber que estou morrendo. As psicológicas: o deboche por ser magra demais, ser preterida no jardim da infância pela professora por não ser a "mais bonita", a "mais rica" e a "mais inteligente", ficar sempre em último lugar na família e ter que aprender a fazer tudo sozinha desde muito, muito cedo. Depois, o escárnio por ser gorda demais, o desprezo por ser "inteligente demais"; amar uma pessoa - aquela que a gente pensa que é pra sempre - e ser abandonada por ela e preterida por outra. Amar outra pessoa e ser abandonada (de novo), sem a menor explicação. Amar uma pessoa - a que você pretende e tem fé que seja finalmente aquela que te completa - e ouvir dela todas aquelas coisas que te fazem sentir a agonia de estar vivo, de "ter que" continuar existindo, apesar de.

É, Schopenhauer tem toda razão. Nem as pequenas, nem as grandes alegrias, cobrem a multidão dos meus sofrimentos. Todavia, como todo mundo, nas palavras de Gonzaguinha, não quero a morte. Não porque a temo. Ao contrário, todas as dores que sofri e que tenho a certeza absoluta de que ainda vou experimentar até que o último sopro de vida deixe meu corpo me fazem saber que morrer é a consequência que, entendida, deve ser simplesmente aceita.

E sobre a finalidade da Vida, afinal? Que me perdoem o imenso preâmbulo para o registro de algo muito, muito simples sobre a minha razão de existir: eu existo para fazer feliz as pessoas. Eu quero isso. Eu vim a esse mundo para trazer alegria, amor, paz e felicidade para quem estiver no meu caminho. É por isso que eu estou aqui. É por isso que eu quero viver. Descobri, muito de repente, que fazer as pessoas felizes é a maior alegria que podemos ter - uma que não se compra com dinheiro - e a maior tristeza que podemos experimentar é de causar o sofrimento dos outros. Se a grande luta dos (sobre)viventes é ser feliz, a finalidade da minha existência, enquanto eu tiver forças para continuar nesse mundo, é essa: nunca magoar ou ferir quem quer que seja e proporcionar felicidade. Assim, meus amigos, entre Gonzaguinha e Schopenhauer, fico com Guilherme Arantes e o seu Brincar de Viver...



P.S:Antes de escrever esse post, conversei longamente com uma amiga querida - a @Dea_Brat - sobre a vida e aqui ela escreveu algo bastante bonito sobre o que ela pensa...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Top 5 - parte V

Chegamos ao topo do top! E enfim o Dia dos Namorados chegou...

Meu namorado diz que não gosta de contar o tempo. E de fato, ele nunca conta. E nunca comemoramos o dia em que começamos a namorar. Sei que ele se lembra, mas não marcou no calendário o dia do nosso primeiro beijo e como ele foi. Eu me lembro até hoje da sensação. E da série de eventos "místicos" que nos aproximou e me fez ter a certeza de que eu e ele somos um do outro. Foi num dia 13/06. Vimos um filme nada romântico - "O Advogado do Diabo" - num cinema que nem existe mais - do extinto Central Shopping (que não tinha nada de central). Isso foi há tanto tempo... É... muita coisa aconteceu de lá pra cá. Coisas que nenhum de nós sequer imaginaria...

A música escolhida para ser a nº 1 já esteve aqui no blog. Pasmem! Num dia 12! Em outubro... E eu também tinha estado resfriada, como estou agora. E hoje também estou, melhor. O que eu disse naquele dia 12, cabe muito bem para o 12 de hoje. Mas a justificativa para que essa música seja a minha #1 desse top 5 é que esse vídeo expressa de uma maneira muito delicada o amor entre duas pessoas. A letra fala de como eu me sinto em relação ao que eu (ainda) sinto pelo meu namorado depois de todos esses anos juntos. Tentarei traduzir:

Our love has changed,
It’s not the same,
And the only way to say it
Is say it .. it’s better.

(Nosso amor mudou, não é mais o mesmo... e o único jeito de dizer é dizer que ele é... ele é melhor)

I can’t concede,

This way I feel,
For all the time we spent, together,
Forever .. just gets better.

(Não posso te explicar claramente o jeito que eu me sinto... por todo esse tempo que passamos juntos, pra sempre... apenas tem se tornado [a cada dia] melhor)

See what I’m trying to say is:
You make things .. better
And no matter what the day is,
With you here .. it’s better.

(Veja, o que eu estou tentando dizer é que você faz as coisas... melhores. E não importa qual dia seja, com você comigo, [sempre] é melhor)

I’ll stand by you,
If you stand by me.
I think time that I, reveal it,
‘Coz I believe it
It’s better

(Eu te apoio se você me apoia. O tempo revela isso para mim, porque eu acredito... É melhor)

See what I’m trying to say is:
You make things .. better
And no matter what the day is,
With you here .. it’s better

(Veja, o que eu estou tentando dizer é que você faz as coisas... melhores. E não importa qual dia seja, com você comigo, [sempre] é melhor)

Ooh the more I .. talk .. to .. you
The more in love with
E .. vry .. thing .. you .. do

(E quanto mais eu falo com você, mais eu me apaixono por tudo que você faz)

Doo doo doo doo doo doo

See what I’m trying to say is:
You make things .. better
And no matter what the day is,
With you here .. it’s better

(Veja, o que eu etou tentando dizer é que você faz as coisas... melhores. E não importa qual dia seja, com você comigo, [sempre] é melhor)

Our love has changed
It’s not the same
And the only way to say it
Is say it .. it’s better

(Nosso amor mudou, não é mais o mesmo... e o único jeito de dizer é dizer que ele é... ele é melhor)

Dedico essa canção a todos os apaixonados de hoje, em especial meu amigo @Nmarques e sua namorada, a quem esse vídeo me faz recordar um momento especial deles e que acabou se tornando meu também.

FELIZ DIA DOS NAMORADOS!




quinta-feira, 11 de junho de 2009

Top 5 - parte IV

Oi zentes! Vim postar rapidinho a 2ª colocada. Essa deveria, na verdade, ser a #1!! No meu coração e no de muita gente, aliás, ela é. Minha eleita de amanhã também tal vez seja uma escolha injusta, tamanha a beleza da que eu deixei ficar em 2º lugar. Amanhã, espero que vocês entendam...

Essa música é trilha sonora do dia dos namorados pra sempre! Acho que isso ficou ainda mais claro pra mim quando a MTV, na década de 90 - não sei se foi 92, não me lembro mais... - fez um especial dos Namorados daquele ano. A vinheta era essa música. O programa especial trazia vários artistas escolhendo as músicas mais românticas e declarando seu amor... Foi a melhor fase da MTV pra mim... Hoje em dia, não consigo mais assistir. Uma pena mesmo, foi uma época tão boa!

Parece muita coincidência que mais de uma música desse top 5 seja da década de 70, mas o que eu posso fazer se as melhores canções são da década em que eu nasci? Foi uma época em que ainda havia quem sabia fazer música de amor de verdade, sem ser baba demais, sentimental na dose certa. Mas o fato é que essa música, na verdade, foi feita na década anterior! Vamos entender melhor...

Se tínhamos aqui Sandy & Jr (talvez a comparação não seja muito feliz, reconheço - mas não pude evitar! xD), na época havia Karen & Richard - The Carpenters. Eles estiveram no topo das paradas americanas muitas vezes. Suas versões para canções famosas - tais como "Please, Mr. Postman" (The Marvelettes) e "Ticket to ride" (The Beatles) - foram e são até hoje muito reconhecidas. Inclusive, "Close to you", composta por Burt Bacharach e lançada em 1963, interpretada por Richard Chamberlain (ator americano muito famoso como Dr. Kildare (Alô, Dr. House!), mas em minha memória importalizado pelo personagem Ralph de Bricassart, em Pássaros Feridos - originalmente The Thorn Birds), com título original "They Long to Be Close to You". No mesmo ano, Dionne Warwick a interpreta e grava como demo, regravada no ano seguinte com novo arranjo do compositor para a cantora. A versão ficou registrada como Lado B da cantora (1965), em "Here I am". Curioso como uma canção, aparentemente obscura, tornou-se um grande hit na década seguinte, na voz de Karen...



Infelizmente, Karen sofria de um mal hoje bastante conhecido e tratável, se detectado precocemente: Anorexia nervosa. Veio a falecer, muito jovem, por complicações causadas por esse distúrbio...

P.S: Eu estava me lembrando que o dia 12/06 não é uma data especial para "nós" (eu e meu namorado), mas sim o dia 13/06... Amanhã vou contar tudo! Aguardem... ;)