sexta-feira, 24 de maio de 2013

Os ciganos e a liberdade do Ser

Quando eu era pequena, as pessoas falavam muitas coisas assustadoras sobre esse povo nômade de costumes diferentes que geralmente se denomina cigano. Diziam que eram um povo sujo, desonesto, ladrão de criancinhas. Historicamente, os ciganos são discriminados há centenas de anos! Há quem diga que são descendentes de Caim, portanto maus por natureza. Na Idade Média, foram duramente perseguidos como seres malignos, pagãos e por isso eram torturados e queimados vivos acusados de bruxaria. Durante a segunda guerra mundial, assim como os judeus, foram considerados como uma praga social, disseminadores de doenças e por essa razão muitos ciganos foram mortos nos campos de concentração. O que se sabe sobre eles, em linhas bastante gerais é que valorizam suas raízes, tradições e a família, além de possuirem um talento nato para o comércio e o acúmulo de bens materiais. Porém, a catacterística que mais se destaca nos povos ciganos no imaginário coletivo é o nomadismo.

Todas as pessoas têm seus apegos. E parece, para grande maioria, que o desapego ao lugar onde se nasce, se vive, se mora é uma coisa bastante fora do normal. Penso que todo tipo de apego nos faz escravos - das coisas, das pessoas, dos lugares. E ser livre, num mundo como o nosso, representa a satisfação de todos os apegos: estar onde se quer, quando se quer; ir onde se quer, por onde quiser. Mas e quando não há opções? E se todas as vontades são contrariadas? Quero ir, mas devo ficar; quero ficar, mas tenho que partir: onde fica a liberdade?

Nenhum de nós é livre. Nem mesmo os ciganos. A real liberdade não tem qualquer relação com a nossa identificação com o que fazemos, o que pensamos e onde estamos. A liberdade, imagino, reside na conexão com o nosso verdadeiro Ser. Equânime, nosso Eu Verdadeiro não é o ego que ri na alegria e chora na tristeza. O Eu está onde deve estar, ir onde deve ir... E partir quando esse for o seu dever.

Os ciganos sabem deixar uma morada sem tristeza ou remorso. Eles não olham para trás e vão. Para eles, esse é um movimento absolutamente natural. Como será que eles aprenderam? Acho que todos que pretendem ser plenamente livres, devem tentar descobrir!





Um comentário:

Cláudio disse...

Meu avô (pai da minha mãe) era cigano. Na juventude abandonou a tradição. Mas manteve alguns hábitos como estar sempre mudando. Quando criança tive um amigo cigano cheguei a conhecer a família dele. Ele era muito discriminado por ser cigano. A familia dele me aceirou pra participar de um a festa deles. Fui recebido com festejo e alegeia por aceitar amizade do filho deles. Lembro que comi até rs.