segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O direito de estar errado

Quando foi que a humanidade resolveu organizar as relações humanas e definir o que é certo e o que é errado? Quando julgamos os citados na matéria de Veja SP dessa semana sobre os "reis do camarote", minha indignação faz coro com a da maioria das pessoas que estão nas minhas redes sociais. A verdade é que a discussão acabou provocando uma reflexão: quais são os valores que determinam o que eu realmente sou? Temos o direito de estarmos errados em nossas escolhas ou temos o dever de estarmos certos em qualquer circunstância?

Pensei em todo aquele dinheiro gasto em baladas... Na noção de mulher como objeto e no álcool como isca. A noção de mulher carne, de mulher objeto. Uma palavra muito em voga: OSTENTAÇÃO. E se tirarmos os milhares de reais gastos em carrões, roupas de grife, consumação em concorridos camarotes desses caras, o que lhes resta? Penso que todo valor humano que se lhes atribui está no em tudo que o dinheiro pode comprar. Sem dinheiro, sem posses, eles não se reconheceriam. Seriam seres sem identidade. Para eles, o certo é fazer tudo que justifique seu comportamento e a realização de seus desejos... Acho muito triste uma vida assim.

Certo e errado dependem do ponto de vista. O que é certo para mim, pode não sê-lo para você ou para a maioria. Assim, como julgar com isenção? Aliás, nenhum julgamento é isento! Tudo que posso dizer, nesse caso, é que essa vida não serve para mim...

É muito difícil conviver num meio onde você é considerado o tempo todo como o ERRADO. Você só tem duas opções: se ajustar ou reivindicar seu direito de estar errado. A vida é feita de escolhas. Certas ou erradas, são SUAS escolhas. Mas em quê elas estão baseadas? Decisões tomadas sem reflexão, sem entendimento, são vazias de sentido e invariavelmente produzem como resultado o sofrimento. Particularmente, confesso que não me agrada imaginar-me julgada pela maioria como esses reis do camarote e tantos outros que toda semana aparecem na internet para desviar nossa atenção da nossa própria vida (que é o que realmente importa!). Não digo que não busco aceitação, porque o desejo de aceitação é um condicionamento que é praticamente passado via DNA. Porém, penso em não dar tanta importância à rejeição da maioria quando sou considerada "errada" se minha consciência diz que estou no caminho certo.


Um comentário:

Cláudio disse...

Estar errado é quando você sente na Alma que o que fez não é benéfico para sua "evolução". O ruim é que a humanidade está tão dessintonizada com sua alma e arraigada ao ego que age compulsoriamente.
Para que ser aceito? se vivermos assim estamos ferrados, porque cada um espera algo diferente de você.