quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Amor em Pedaços

Para Tio .Faso

A vida, às vezes, é doce. Algumas vezes, amaríssima! Ter energia e disposição para vencer cada desafio que ela nos impõe a cada dia se torna uma tarefa muito difícil quando o viver é desprovido de sabor. O que dá sabor à vida? A família, os amigos, os amores... Ah, os amores... A gente vai amando tudo! Mesmo quando ainda sequer nos entendemos por gente. Amamos "dedeira", o paninho, os brinquedos... nossos pais, os amiguinhos, as brincadeiras... as músicas, os tênis, as roupas, os livros, pessoas... E assim o ato de amar vai se tornando cada vez mais complexo. Como pode uma coisa que nasceu espontaneamente, sem que ninguém a cultivasse, ocupar o nosso ser de tal forma que não fôssemos mais capazes de nos sentir inteiros, íntegros sem ela - essa coisa chamada amor? O amor está em pedaços... Pedaços de nós que se tornam as coisas, as pessoas, os momentos...

Amor em pedaços é um doce muito mineiro, muito embora sua origem seja portuguesa. É um doce que se faz com açúcar (e com afeto!), abacaxi, coco... Farinha, manteiga, ovos... Tudo junto, casadinho - deliciosamente. Ontem foi a primeira vez que tentei fazê-lo. Receita que ganhei de uma amiga paulistana. Sabe quando a gente ama uma pessoa e não quer "pisar na bola"? Quer fazer tudo certo: usar a roupa certa, o perfume certo, o penteado certo... a palavra certa, na hora certa... Assim eu escolhi os ingredientes certos: o abacaxi mais doce (achei um milagre acertar dessa vez!), ovos capira fresquinhos... Tudo para ficar mais próxima da perfeição. Do mesmo jeito que alguém que faz tudo certo e ainda assim leva um fora (ou dá um fora por razões que a própria razão desconhece), meu amor em pedaços não ficou perfeito e isso me deixou triste. E não é assim que ficamos quando um grande amor "termina"? Sim, entre aspas porque acredito que quando amamos de verdade, não há desamor. Há uma mudança de rumos, mas o amor não deixa de existir.  O recheio dessa sobremesa é cozido lentamente em fogo brando. Como nos relacionamentos... Cozinhamos nossos sentimentos no fogo brando da nossa paixão, mas nem sempre acertamos o ponto. "Onde foi que eu errei"? - nos perguntamos. E as perguntas não cessam... 

Houve amor? Houve sim... No desejo que motivou o preparo, no anseio pelo resultado, nas escolhas... E nos erros. Porque ninguém erra sem ter tido o profundo e autêntico desejo de acertar. Há amor? Claro! O doce, ainda que imperfeito, é cheio de aroma, cor e sabor. Provei meu doce imperfeito e dividido... Aceita um pedaço?

4 comentários:

Fabi disse...

Texto lindo e verdadeiro. Me emocionou como sempre.
Bjo

tio .faso disse...

Essa parte é o base do texto:

"[...] meu amor em pedaços não ficou perfeito e isso me deixou triste. E não é assim que ficamos quando um grande amor "termina"? Sim, entre aspas porque acredito que quando amamos de verdade, não há desamor. Há uma mudança de rumos, mas o amor não deixa de existir."

Poderia falar muitas coisas, mas isso disse tudo e mais um pouco. O que posso dizer é "obrigado"!

Um super abraço,

tio .faso

Cláudio disse...

Todo amor é perfeito, senão não é amor. O amor parece imperfeito, porque imperfeito é nosso olhar, nosso sentir, nosso desejar...

analice disse...

Adri, nao deu errado nao. As receitas sao iguais mas os resultados sao sempre diferentes porque cada um e diferente. Se a foto e a do doce, parece uma delicia...