terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Introducing Ingrid Michaelson

Desde dezembro do ano passado que meu passatempo preferido tornou-se baixar e assitir séries americanas. Nos anos 80, elas eram consideradas enlatados - consumia-se muito! Elas infestavam a tv aberta e em horários bastante comerciais. Hoje em dia, elas se concentram nos canais de tv por assinatura - Fox, Sony, AXN, etc... A Globo comprou Lost - que foi (não sei se ainda é) uma febre -, 24 Horas e está exibindo a recente Prision Break. Algumas séries bem populares como Smallville e Ugly Betty estão no SBT. Infelizmente, o horário reservado para elas na tv aberta é péssimo! Talvez seja por isso mesmo que eu nunca tenha tido saco pra acompanhá-las - exceto Smallville, que sempre fui fã. No ano passado, criei o hábito de ficar acordada até altas horas. Foi assim que vi um episódio de Grey's Anatomy - 2.09 - Thanks for the memories. Eu já sabia sobre essa série desde 2006, por causa da filha da minha orientadora que era fã incondicional. Nunca tinha me animado a ver. Até aquela noite... Não entendi nada, obviamente. Peguei o bonde andando. Mas sabe o que me agradou? A trilha sonora!

Grey's Anatomy é uma série médica - nos anos 90, eu fui muito fã de E.R (Plantão Médico - de onde saiu George Clooney). Grey's... é bacana porque ela dosa humor, drama e romance - na medida certa! A música de abertura já anuncia a tônica das músicas da série: Cosy in the Rocket, música da banda britânica Psapp. Grey's é recheada de hits do indie!! Prato cheio pra mim... Eu assisti todas as temporadas quase ininterruptamente por semanas - tão viciada eu fiquei. A série revelou para mim lindas canções e intérpretes maravilhosos! Posso fazer uma lista enorme aqui, mas vou falar apenas sobre a Ingrid....


Ingrid Michaelson é uma nova-iorquina que faz o melhor indie pop da década! Conheci The way I am ouvindo a 90fm Blumenau , mas a canção está no episódio Six Days - part 1. Foi uma surpresa gostosa ouvir uma canção conhecida em Grey's... Um dos melhores momentos da série inteira é embalado pela canção Keep breathing (encerra a 3ª temporada, no episódio Didn't We Almost Have it All?), composta especialmente para Grey's. Grandes nomes do cenário pop atual como Joshua Radin, Jason Mraz e Sara Bareilles cantam com ela... One tree hill também tem algumas de suas músicas. Sendo uma estrela, Ingrid não deixa de ser uma jovem como nós. Por motivos óbvios, ela mantem seu perfil no MySpace. Mas o fascinante é saber que a artista tem um perfil (hiper) ativo no Twitter que é administrado pela PRÓPRIA CANTORA! Sim, é ela mesmo quem twitta! Tem um blog super gracinha, que eu recomendo: Bliggty Blog by Ingrid Michaelson. É tão bacana saber que seu artista favorito é como a gente... Eu tenho essa satisfação. Eu acompanho a Ingrid no Twitter e sei várias coisas sobre ela (contadas por ela mesma): é viciada em Nutella, adora Lost e posta no blog! Sim, Ingrid é gente como a gente! ^__^




Cena final do episódio final da 3ª temporada (SPOILER!)

domingo, 8 de fevereiro de 2009

The Opposite side of the sea - Oren Lavie (2007)

Quem é esse cara? Nascido em Tel Aviv (Israel) em 1976, Oren não é apenas cantor: é compositor, escritor e diretor. The Opposite Side of the Sea, seu disco de estréia, foi um temendo sucesso de crítica e lhe rendeu a participação na trilha sonora de As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian com a canção chamada A Dance ‘Round the Memory Tree.

O clip de Her Morning Elegance, feito em stop-motion, é hiper criativo! A música é deliciosa... Lembra Kings of Convenience - um som meio bossa nova, cool. Os arranjos de cello deixam a música leve, mas com um ar clássico, elegante e suave - arranjo primoroso e de extremo bom gosto. Desde Flores em Você, do Ira, me sinto enlevada por músicas com arranjos de violino/cello. As outras canções do álbum também seguem esse tom. Fui totalmente fisgada pelo estilo dele! Essa canção em especial parece ter sido feita para mim. Ela descreve um pouco - definitivamente um muito! - de mim.



Her Morning Elegance - Oren Lavie

Sun been down for days
A pretty flower in a vase
A slipper by the fireplace
A cello lying in its case

Soon she's down the stairs
Her morning elegance she wears
The sound of water makes her dream
Awoken by a cloud of steam
She pours a daydream in a cup
A spoon of sugar sweetens up

And she fights for her life
as she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
as it pours
And she fights for her life
as she goes in a store
with a thought she has caught
by a thread
she pays for the bread
and she goes…
Nobody knows

Sun been down for days
A winter melody she plays
The thunder makes her contemplate
She hears a noise behind the gate
Perhaps a letter with a dove
Perhaps a stranger she could love

And she fights for her life
as she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
as it pours
And she fights for her life
as she goes in a store
with a thought she has caught
by a thread
she pays for the bread
and she goes…
Nobody knows

And she fights for her life
as she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
as it pours
And she fights for her life
as she goes in a store
where the people are pleasantly
strange
and counting the
change
as she goes…
Nobody knows



sábado, 7 de fevereiro de 2009

Saudade

do ant. soedade, soidade, suidade < Lat. solitate, com influência de saudar

s. f.,
lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir;
pesar pela ausência de alguém que nos é querido;
nostalgia;

Ouça a saudade.

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida". Clarice Lispector

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sobre animais, amizade e a capacidade de adivinhar

Hoje foi um dia pesado. Um dia tenso e quente. Vasculhei gavetas e entre mil papéis inúteis que eu insisto em guardar, encontrei os que eu precisava. Havia muita coisa para resolver. E nenhuma disposição para. Liguei para um amigo e adivinhei sua má vontade em me ajudar.

Mais tarde, tolerei o mau-humor de outro. Fui compreensiva tanto quanto gostaria que fossem comigo. E aceitei seu convite para assistir a palestra de uma amiga dele sobre os benefícios dos animais de estimação à saúde humana. Foi literalmente bárbara! Emocionante, eu e outras pessoas presentes diriam com toda segurança. Meu amigo fora convidado por ela para comer uma pizza com ela e outras amigas dela. E ele me deu a notícia entre dentes e eu adivinhei que ele não queria que eu fosse.

Eu suporto qualquer coisa de uma pessoa que eu considero amigo. E a palestra que assisti ilustrou com louvor como se deve tratar um amigo que nos trata com tanta dedicação e lealdade como os bichos. Do que ela disse, o que mais me tocou foi ter dito que a diferença entre nós e os bichos é que não existem ambivalências em seus sentimentos. Os bichos não amam e odeiam ao mesmo tempo, mas nós humanos sim. Os animais não são hipócritas e não fingem que nos amam para tirar proveito como costumamos fazer sem pestanejar. Um amigo que nos ama e considera não apenas se alegra conosco, nos apoia e ajuda, mas um amigo verdadeiro deveria, antes de mais nada e acima de tudo ser sincero. Um amigo deve ter liberdade de dizer para o outro qualquer coisa. Nem que seja um sonoro 'vai tomar no seu cu'. Um amigo não deve ter temor em dizer algo que talvez (ou invariavelmente) magoe se o que ele disser for sincero, honesto.

Um amigo desse quilate não se acha em qualquer esquina, mas nem todos desejam um amigo assim. Eu não desejo. Eu só aceito um amigo assim! Se não for assim, para mim é qualquer coisa, menos amigo.

Para esses dois que eu considero como amigos, eu fui a amiga que eu sempre quis ter. E disse o que eu adivinhei. E disse que como amigos, eles tem comigo toda a liberdade para dizerem: 'não tou afim de te ajudar, se vira!'; 'não quero que você se misture com meus outros amigos'. Não quero justificativas, não quero desculpas. Quero apenas a honestidade. Não quero mais adivinhar essas coisas e me sentir traída, magoada. Detesto pensar que as pessoas que eu considero amigas só se lembram de mim quando precisam e me chutam para escanteio quando não sou mais útil.

Entendi muito bem o que a palestrante quis dizer quando falou à respeito da nossa responsabilidade para com os nossos amigos animais. Eles nos dão tudo de si; dão tudo que tem e podem dar. Eu tive um cão que sorria para mim quando eu pedia. E me consolava quando eu chorava. Ele me deu tanto e quase nada me exigiu. Tão pouco eu fiz pelo muito que ele me fez - dava banho, água, comida e carinho (que nunca se equivaleu ao que ele me deu). Tenho uma que faz por mim o mesmo! É minha companheira na minha solidão. Ela me faz sentir que sou necessária e importante para ela como nunca ninguém conseguiu fazer. Assim, quem quer que diga que prefere ter um animal a um filho não me surpreende nem me choca. Talvez se aprendêssemos com eles o tal do amor incondicional que dizem que os pais sentem por seus filhos, talvez pudéssemos realmente pensar em ter filhos...

Adivinhar é uma capacidade mágica que a gente vai adquirindo desde o útero. Um bebê adivinha que a mãe vem alimentá-lo quando ele chora. Então ele chora! Uma criança aprende a falar sem que ninguém ensine o sentido de cada palavra. Ela adivinha sem questionar que mamãe é aquela mulher que o alimenta e cuida. E que papai é aquele babão que brinca com ele quando está em casa. Ninguém ensina uma criança a ter preconceito. Ela adivinha que pretos e pobres não são bem-vindos. Uma criança adivinha que seus pais não se amam, se sente culpada e adoece. Desde cedo uma criança aprende que "ser bonzinho" rende uma recompensa. Mas adivinha que é se comportando mal que sente que seus pais se importam com ela. A gente passa a vida adivinhando sem saber que adivinha. Às vezes até finge que não sabe para não doer. Adivinhar é uma capacidade muito bacana. Exige operações cognitivas muito complexas! Isso é uma das coisas mais legais que eu aprendi na faculdade - que a criança tem uma extrema capacidade de deduzir e concluir coisas que nós adultos não conseguimos. Ao longo da vida, passamos adivinhando as pessoas porque elas não são capazes de dizer quem são ou se comportarem com naturalidade. A arte de adivinhar tem sua graça, como uma brincadeira divertida. Mas a beleza de uma arte se revela em sua capacidade de nos surpreender. E num mundo de mentiras e adivinhações, a arte da sinceridade sempre me surpreende.




Starálfur (da banda islandesa Sigur Rós) é para mim uma das músicas mais lindas do mundo!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Sim senhor (2008)


Sempre gostei do Jim Carrey. Há tempos sei que posso ir ver um filme com ele no elenco e sempre sair satisfeita do cinema. Dessa vez não foi diferente.

Fomos ao cinema para ver o filme do Tom Cruise. Mas não estava em cartaz. Vi o do Jim e disse: vamos ver esse então? Ele disse sim sem saber sequer o nome do filme. Ele não gosta de comédia romântica. Se soubesse que era, nem teria interesse. Mas ele disse sim. E nos divertimos muito no cinema como há muito tempo não nos divertíamos!

Sim senhor toca questões sociais muito relevantes: ter amigos, estar com alguém e progredir na vida. A filosofia do sim para tudo é meio The Secret. E de fato, acredito que uma atitude positiva em diversas situações pode mesmo promover mudanças consideráveis na vida de um indivíduo. Mas o problema é a gente buscar essas coisas sem ao menos se perguntar se realmente elas nos fazem felizes. Um dos momentos mais legais do filme é quando Carl (Jim Carrey) tenta salvar um suicida. Ele canta uma música do Third Eye Blind chamada Jumper. É a melhor parte do filme!





Revendo esse trecho, meu namorado e eu achamos uma nova graça na cena. Uma engenhosa e curiosa homenagem aos Beatles!! Vejam:

a) Ele toca de cima de um prédio: os Beatles fizeram uma apresentação no terraço do prédio da Apple em Londres cantando Get Back. Get back significa VOLTE! Carl também causa frisson na rua com sua apresentação, assim como os Beatles! =D
b) Carl faz o chifrinho do "heavy metal": O primeiro homem a fazer esse sinal foi o John Lennon na capa do disco Yellow Submarine.
c) Carl diz "I've got blisters on my fingers" com carregado sotaque inglês: O primeiro som heavy metal da Terra foi feito pelos Beatles e se chama Healter Skelter. No final da música, Ringo berra a frase famigerada que acabou ficando na versão original.

Assim, o trecho ganhou uma graça toda especial para nós que somos beatlemaníacos!

O filme me fez pensar. Não na importância de estar em companhia dos amigos, de ter alguém que me ame do meu lado e uma promoção no trabalho, mas em como a gente precisa, para fazer escolhas certas, além de ter uma atitude positiva (que não se resume a simplesmente dizer sim para tudo), ser muito honesto consigo mesmo.

P.S: só pra constar: o filme é baseado no livro de um autor inglês chamado Danny Wallace. Fiquei muito curiosa, mas não sei se tem traduzido para o português.



sábado, 17 de janeiro de 2009

Os 7 Pecados Capitais


Você saberia listar de cabeça os 7 pecados capitais pela ordem? Nem eu. Mas é certo que todos nós cometemos esses 7 invariavelmente, contrariando todos nossos desejos maniqueístas de sermos virtuosos (que não passa também de um desejo de sermos aceitos, apreciados, distintos de quem é considerado mal). O que são pecados? Pecado, por definição, é a transgressão de preceitos religiosos. Religiosos ou não, todos nós estamos sujeitos a contrariar tais preceitos. Vejamos:

Vaidade: Considerado o pecado mais grave de todos, encabeça a lista. É o resultado da necessidade de atrair a atenção do outro para si, muitas vezes com intuito de provocar a inveja alheia. Em outras palavras, a vaidade existe porque sentimos uma necessidade de nos distiguirmos uns dos outros, não simplesmente sermos singulares mas sermos os melhores entre os melhores. Embora esse seja considerado o pecado mais grave, é o que mais se estimula em nós desde crianças por nossos próprios pais ao nos compararem às outras crianças.

Inveja: Define-se pelo desejo desmedido em possuir atributos, posses e habilidades alheias. Diz-se que não é intrínseca ao ser humano, sendo resultado da competitividade em que nossa sociedade se baseia - pode ser uma das causas, de fato... Para mim, a Inveja é aquela sensação horrível de que outra pessoa tem aquilo que deveria ser exclusivamente seu e mais ninguém. Não é possível sentir inveja e não sentir Ira (o próximo da lista). Ao contrário do que possa parecer e que não fica tão claro em outras línguas que não a nossa, ciúme e inveja não são sinônimos. O Ciúme é o insuportável mal-estar que nos assoma quando sentimos que algo precioso está sendo tirado de nós, algo que deveria ser somente nosso.

Ira: É difícil definir esse pecado. Aliás, como pode um sentimento que parece brotar de um processo aparentemente natural ser considerado uma transgressão? É certo que o que nos afeta negativamente é de fato uma transgressão. Mas é possível se sentir culpado por sofrer uma descarga de sentimentos negativos que obliteram a razão quando nos humilham, ofendem, ou roubam o que é nosso? A Ira me parece uma reação "natural" ao que nos causa sofrimento.

Preguiça: Grosso modo, é vontade de fazer absolutamente NADA. O problema da preguiça é que para o mundo capitalista girar, ninguém pode ficar parado! Então é um pecado ficar à toa - entenda-se lendo, filosofando, navegando na internet... Preguiça é um pecado contra a sociedade. A preguiça para mim é sintoma de desinteresse por atividades que nos dão vitalidade e passa a realmente ser um pecado quando nos tira o desejo de viver.

Avareza: Ausência do desejo de compartilhar - especialmente dinheiro. Fácil entender porque esse pecado está na lista. Afinal, a Igreja não seria rica hoje se não fosse ele! Trata-se de um instinto de preservação daquilo que julgamos que nos fará falta se compartilhado.

Gula: Gula é querer ter mais do que o que já se tem. É uma coisa triste... Porque a gula vem suprir o que já é o bastante mas que não sentimos como suficiente. A gula é angustiante porque nunca está satisfeita. É como a ganância que nunca tem fim. Existe uma causa profunda para ela. E se não a descobrirmos, continuaremos seus escravos.

Lúxuria: Querer ter prazer é pecado. Luxúria é nada mais que isso: querer ter prazer. Por que a Igreja colocou isso na lista é simples: você está constantemente cometendo um pecado gravíssimo e precisa dela para se salvar! Fez do sexo um tabu para escravizar a humanidade.

Nossa cultura judaico-cristã nos fez sentir culpa por tudo aquilo que sentimos sem uma justa explicação. O que são chamados pecados simplesmente brotam como sentimentos em nós. Nossa racionalidade e julgamento nos obrigam a constantemente fazer essa regulação que nos causa sempre sofrimento psicológico. A Igreja nos fez acreditar que confessando os pecados e pagando as penitências esse sofrimento estaria aliviado. Mas ela não nos ensinou a descobrir a fonte de todos eles. Isso ninguém ensina. Quer aprender? Descubra por si mesmo!


terça-feira, 13 de janeiro de 2009

No one can destroy The Metal - Tenacious D: The Pick of Destiny


Quem me conhece jamais poderia imaginar que eu começaria o ano falando sobre um gênero musical que nunca foi o meu favorito. Ano novo, novas perspectivas. Por que não?

Tudo que eu conhecia de heavy metal não passou de preconceito. Todas as imagens, sons e personagens desse gênero estavam associados ao comportamento repreensível do meu irmão mais velho. Ele tinha posters no quarto: AC/DC, Judas Priest... E tinha um disco (isso mesmo: os velhos LP's, hoje artigo de colecionador, quase peça de museu) com uma capa "terrível" de um tal de Dio. Um dia ele alugou na locadora um filme do Pink Floyd (hoje eu sei que isso não é heavy metal, mas para mim, naquele época, era tudo farinha do mesmo saco) e eu associei também às más companhias que ele tinha. Por muitos anos, eu realmente não suportava rock. Metal então, estava fora de questão. Até eu conhecer uma pessoa que não deixa passar nada: porque ela ama música mais do que a própria vida. Vocês podem imaginar como uma pessoa pode despertar na gente uma paixão pelo simples fato dela estar apaixonada? É como se fosse uma "doença" contagiosa. Mas ela só se instaura se você deixa. E eu deixei de lado meus preconceitos e comecei a ouvir todo tipo de música: inclusive metal. Por natureza, não sou do tipo de pessoa que vai amanhecer com vontade louca de ouvir Black Sabbath ou Iron Maiden no último volume, mas eu posso curtir junto com essa pessoa hoje numa boa.

A nova geração não conhece rock'n'roll. Não sabe mais o que é rock. O conceito mudou bastante e muita coisa se perdeu. Ninguém curte mais esse tipo de música. Os que curtem são considerados monstros sagrados que "pararam no tempo" - já passaram dos 30 ou 40 e são chamados de tiozões ou vovôs do rock. Novamente, puro preconceito. Porque música não é tempo - como toda arte, é atemporal. Ela de fato é registro do tempo, posto que o representa. Música simplesmente deve ser. E não é um crítico ou um leigo que vai definir para mim a qualidade de uma música. Meu critério é simples: gosto ou não gosto. Simples assim.

O Metal hoje é um deboche: pura sátira do que quem viveu os anos 80 conheceu. Aliás, tudo que se refere aos anos 80 é transformado em risível por uma geração que não sabe do que está falando. E eu acho que quem curte metal deve se sentir ofendido com isso. Polêmica à parte, eu acho ótimo que o Metal seja mantido vivo, nem que seja por causa dessas brincadeiras.

Quem não curtiu o Massacration? Quem não riu muito de Escola do Rock? Então, assista Tenacious D - The Pick of Destiny. Jack Black é engraçado só de olhar para ele. E quando ele atua e canta, ele detona! Por incrível que possa parecer, a banda de Jack Black e Kyle Gass existe mesmo. Tenacious D existe desde 1994. Embora pareça tudo uma brincadeira, rock pra esses caras é coisa muito séria. E para falar a verdade, a seriedade deles está nisso: TO PLAY (tocar/brincar) ROCK. As letras são engraçadas e o estilo lembra os clássicos do rock: The Who, por exemplo. O filme é uma paródia da história real da banda. Uma mistura clássica de pastelão estilo Quanto mais idiota melhor e Debi & Lóide. As músicas do filme são ótimas de verdade! Ainda que as letras sejam estúpidas e ridículas (eis a graça afinal!), elas são tocadas de forma perfeita - Black realmente canta muito bem rock'n'roll e Gass também toca muito! Kickapoo, a música que abre o filme, lembra muito o filme do The Who e um clip (pra lá de clássico) do Twister Sister. Atenção especial para o encontro da dupla na praia em Hollywood: Gass toca Bach, Beethoven e Mozart estilo rock! Confiram:



A música que encerra o filme nos créditos não é somente engraçada. Ela é verdadeira. O Metal não vai morrer. Nunca!

Tenacious D - The Metal (O Metal)

Você não pode matar o Metal
O Metal se manterá vivo

O Punk Rock tentou matar o Metal
Mais eles falharam e estão caídos no chão


New Wave tentou matar o Metal
Mas eles não só falharam como eles foram jogados no chão

Grunge tentou matar o Metal
Hahahahaha eles não só falharam como foram derrubados no chão

Ninguém pode destruir o Metal
O metal vai derrubá-lo com um sopro vicioso
[Punk, New Wave e Grunge] Nós somos os inimigos derrotados do Metal
Nós tentamos ganhar porque nós não sabemos [quão poderoso é o Metal]

A New Wave tentou destruir o Metal
Mas o Metal deu jeito
O Grunge tentou destronar o Metal
Mas o Metal estava no caminho
O Punk-Rock destruir o metal
Mas o Metal é muito mais forte
A Techno tentou sujar o Metal
Mas a Techno foi comprovadamente considerada ruim
Yeah!

Metal!
Veio do inferno!

Let's rock, so! HAPPY 2009!