Mostrando postagens com marcador escritor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escritor. Mostrar todas as postagens

sábado, 31 de outubro de 2009

Um ano, um projeto, uma REALizAÇÃO


O ano de 2009 está acabando e anuncia o final de uma década, já pararam pra pensar? Pois é... Nem sempre é bom, mas é necessário olhar um pouco para trás para ver o que já foi feito, o que foi aprendido, afinal.

A melhor coisa que me aconteceu no ano de 2009 foi saber que eu tenho uma família. Verdade. Não é como o comercial de margarina, mas é a minha - meu sangue, meu sobrenome, minha gente. Eu tenho um lar para onde poder voltar e ficar o quanto eu quiser. Brigamos? Claro que sim! Somos unidos? Não quanto deveríamos, mas o suficiente para saber que podemos suportar qualquer barra juntos, como pais, filhos, irmãos.

Sobretudo, preciso celebrar o início da minha carreira docente e meu primeiro ano no mestrado. Meus alunos tem sido fonte de inspiração e motivação para prosseguir na carreira que eu escolhi, apesar das adversidades e dificuldades. Esse ano, caminhamos e crescemos juntos. Vamos dar o nosso último passo em direção ao resto da nossa vida: Decidimos registrar nossa experiência e transformá-la em livro. Contamos com o seu apoio para que ele seja um sucesso!

terça-feira, 17 de março de 2009

Sem coleira: A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera

Acordei sonhando. O paradoxo de um pesadelo feliz me ocorreu. Um ente querido morreu - no sonho. Não houve agonia, nem pesar. Se houve saudade ou tristeza, só posso imaginar - pelo alívio que tive ao despertar.

Uma urgência me fez ligar a tv e o dvd para terminar de ver um filme como se fosse a última coisa a fazer na vida. Há filmes que a gente vê e nem se dá conta do tempo que passou. Esse, interrompi nos 40 primeiros minutos - dias atrás - para poder dormir. E várias outras vezes hoje pela manhã - não conseguia suportar o impacto das cenas, das falas - sua leveza, seu peso sobre mim... Daniel Day-Lewis, um menino e Juliete Binoche uma menina. Dois personagens intrigantes - duas metades de mim: a masculina e a feminina - Tomas e Teresa. Adaptado do famosíssimo romance do escritor tcheco Milan Kundera, "A Insustentável Leveza do Ser" teve, sobre mim, o impacto de uma pluma pousada ao acaso na ponta do meu nariz. Vi o filme, estou lendo o livro. Kundera não mais aprovou, após o lançamento desse filme em 88, nenhuma adaptação de suas outras obras para o cinema. Mas isso não quer dizer que a adaptação não tenha sido boa. Ao contrário, penso que é uma das únicas que eu já gostei até hoje.




Tão leve fiquei assistindo ao filme e começando a leitura do livro, quanto pesado foi o meu dia. Um insucesso, não um fracasso. Dois - o outro, horas mais tarde. E eu pensando o dia inteiro em amor, ciúme, posse, liberdade... Viver feliz ou morrer feliz?

Eu vivo relativamente só. Tenho a companhia virtual das pessoas que me aconteceram por acaso e a presença real e significativa do animal mais amoroso que eu jamais conheci em meus anos de Balzac. Ela é um pouco Teresa - é minha dona e me "controla". Eu, para ela, sou Tomas: amo-a compaixão. É real: tudo que temos é uma a outra. Tomas e Teresa tinham Karenin e a lição de vida mais doce e profunda do filme/livro é dado por ela.

Assim, depois do peso do dia, sentido a leveza da noite, após um dia quente e semi-úmido, minha Karenin me esperava. Ela me pede com os olhos. Eu sei... Entendendo, sem dúvida alguma, sua linguagem silenciosa, peguei sua coleira mas não a coloquei. Hoje, pela primeira vez, ela passeou sem coleira. Tão linda a liberdade (ainda que vigiada) de um cão! Poucas vezes na vida tive uma experiência tão aparentemente insignificante e, ao mesmo tempo, tão plena de significância. Havia uma alegria muito maior nos passos dela - ligeiros, mas cuidadosos. O caminho, conhecia de cor. Conduziu-me. Não houve medo. E seguimos livres na noite amena.