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sábado, 31 de outubro de 2009

Um ano, um projeto, uma REALizAÇÃO


O ano de 2009 está acabando e anuncia o final de uma década, já pararam pra pensar? Pois é... Nem sempre é bom, mas é necessário olhar um pouco para trás para ver o que já foi feito, o que foi aprendido, afinal.

A melhor coisa que me aconteceu no ano de 2009 foi saber que eu tenho uma família. Verdade. Não é como o comercial de margarina, mas é a minha - meu sangue, meu sobrenome, minha gente. Eu tenho um lar para onde poder voltar e ficar o quanto eu quiser. Brigamos? Claro que sim! Somos unidos? Não quanto deveríamos, mas o suficiente para saber que podemos suportar qualquer barra juntos, como pais, filhos, irmãos.

Sobretudo, preciso celebrar o início da minha carreira docente e meu primeiro ano no mestrado. Meus alunos tem sido fonte de inspiração e motivação para prosseguir na carreira que eu escolhi, apesar das adversidades e dificuldades. Esse ano, caminhamos e crescemos juntos. Vamos dar o nosso último passo em direção ao resto da nossa vida: Decidimos registrar nossa experiência e transformá-la em livro. Contamos com o seu apoio para que ele seja um sucesso!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

... e o sol reapareceu

A mensagem abaixo recebi por e-mail essa manhã. Leia e veja se o que eu digo sobre a benção numa tragédia não é verdade!

Meus amigos,

Hoje 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta "folga forçada" a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.

As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.

Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.



Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, Gadu etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:

- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros

- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.

- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.

- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.

- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.

- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.

- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.

- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.

- Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.

- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.

Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:

- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.

- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.

- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.

- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.

- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.

- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.

- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.

- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.

- Aos Médicos Voluntários.

- Às enfermeiras Voluntárias.

- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.

- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.

- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.

- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.

- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.

- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.

- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.

- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.

- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.

- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.

- A todos que oraram por todos.

- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.

- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.

- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.

- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.

- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.



Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:




COMEÇAR DE NOVO

Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.


Anônimo

É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano.

Pelo menos é a minha hora, acredito.
Que Deus abençoe a todos.


Luis Fernando Gigena

sábado, 25 de outubro de 2008

Entusiasmo

Uma semana sem escrever. Uma semana cheia de coisas pra fazer. E o que eu fiz? Fiz o nada que eu queria fazer há muito tempo! Um*entusiasmo me dominou no ínicio da semana e muito rapidamente ele foi ziguezagueando dentro de mim e agora não sei o que fazer com ele...

Há muitos anos, eu vi num programa de entrevista que eu assistia com freqüência à tarde uma pessoa dizendo que etimologicamente a palavra entusiasmo quer dizer Deus dentro. Pensando nas sensações físicas e psicológicas causadas por ele, sim... Eu realmente penso que é como se houvesse mesmo um Deus Interno que guia nossos passos e nos faz tomar atitudes que sem Ele não teríamos coragem. Uma força sobrevém e tudo começa a acontecer!

Eu ainda estou na montanha russa. Algumas lembranças que me vieram essa semana me fizeram retomar um problema sério da minha vida. Eu bem que tentei fazer terapia psicanalística, mas o analista era um boçal! Assim, vou ficando na minha auto-análise mesmo.

Hoje eu li no blog da Jini aquele texto do Rubem Alves sobre o que acontece para que a ostra possa produzir uma pérola e me lembrei de uma teoria que eu formei a partir disso. A gente às vezes tem um complexo de ostra: ficar fechado em concha, sem dividir com ninguém nossas dores. E são elas - as dores - que provocam em nós esse desejo de fazer algo de bom, algo de positivo pra mudar a situação (produzir a pérola). Mas tem gente que mesmo criando uma linda pérola a ignora e não a compartilha com ninguém. Você consegue pensar que para tirar uma pérola da ostra é preciso arrancá-la? Bem, eu penso que se eu produzo uma pérola - uma coisa linda que trará felicidade e sorrisos para aqueles a quem eu puder oferecê-la - devido à minha própria natureza, vou querer oferecê-la e não trancá-la dentro de mim!

Desse modo, quero pedir a vocês que torçam para que a minha pérola fique maravilhosa e que eu possa compartilhá-la com todos!

Beijos e bom fim de semana!

*Entusiasmo: do Gr. enthousiasmós, inspiração divina
s. m., excitação da alma, quando admira excessivamente; exaltação das faculdades da alma que torna sublimes os escritores, os oradores e os artistas; arrebatamento, paixão viva; alegria ruidosa.