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sábado, 31 de outubro de 2009

Um ano, um projeto, uma REALizAÇÃO


O ano de 2009 está acabando e anuncia o final de uma década, já pararam pra pensar? Pois é... Nem sempre é bom, mas é necessário olhar um pouco para trás para ver o que já foi feito, o que foi aprendido, afinal.

A melhor coisa que me aconteceu no ano de 2009 foi saber que eu tenho uma família. Verdade. Não é como o comercial de margarina, mas é a minha - meu sangue, meu sobrenome, minha gente. Eu tenho um lar para onde poder voltar e ficar o quanto eu quiser. Brigamos? Claro que sim! Somos unidos? Não quanto deveríamos, mas o suficiente para saber que podemos suportar qualquer barra juntos, como pais, filhos, irmãos.

Sobretudo, preciso celebrar o início da minha carreira docente e meu primeiro ano no mestrado. Meus alunos tem sido fonte de inspiração e motivação para prosseguir na carreira que eu escolhi, apesar das adversidades e dificuldades. Esse ano, caminhamos e crescemos juntos. Vamos dar o nosso último passo em direção ao resto da nossa vida: Decidimos registrar nossa experiência e transformá-la em livro. Contamos com o seu apoio para que ele seja um sucesso!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Meu professor inesquecível


Quando me foi pedido como tarefa escrever sobre o professor inesquecível, senti que não seria capaz de falar dele sem antes saber onde ele está, quem ele é exatamente, afinal... É muito simples escrever para cumprir uma obrigação. Mas, para mim, escrever é um ato tão sagrado quando orar. E eu não poderia dizer a verdade por escrito ferindo um princípio tão particular...

Ainda que seja meu dever falar sobre o professor inesquecível a quem me pediu, eu o faço com prazer. E ainda compartilho com quem quer que venha ler essas linhas, o vislumbre de um mistério: Encontrá-lo – o professor inesquecível – foi uma “busca” mística e sem precedentes. Não houve esforço, não houve qualquer iniciativa para achá-lo ou classificá-lo... Mas houve enfim a descoberta: No vasculhar da memória, na sondagem das vivências, nos recônditos da alma. Lá estava... O Professor...

Uma pessoa que me deu um gato para colorir quando eu era uma criança viva, ativa e atenta, aprendendo o que é melancolia, o que é se sentir diferente, mesmo sendo tão igual... Uma pessoa que me fez sentir vergonha por não saber estudar matemática... Uma pessoa que, ensinando fórmulas algébricas – as que eu tanto odiava – me falava sobre o que existe ‘mais além’... Uma pessoa que fez jus ao meu esforço diante de uma aparente derrota... Uma pessoa que me fez gostar de uma língua que não é a minha tão fortemente que inundou meu coração de uma paixão adolescente... Uma pessoa que sentiu na minha voz alguma melodia, a quem – por empecilho materno – não pude seguir... Uma pessoa ‘de mentira’ que dizia para seus alunos carpe diem... Uma pessoa que me fez assistir Tempos Modernos... Outra que me fez assistir Lawrence da Arábia... Uma que me fez ver Freud: Além da alma... Outra que me apresentou A língua das mariposas... Uma que, em me fazendo ler Bach e pedindo para escrever resenhas, mostrou-me o quão difícil, quão duro é fazer nascer das letras, das sentenças, algum sentido que não seja fictício e que tenha, ao mesmo, algo imaginário... Uma pessoa que me encanta com sua fala, sua eloqüência – denotando compartilhar comigo amor à Língua Portuguesa que abracei tomando seu ensino por vocação – na energia que emana de cada uma de suas palavras, as quais, por tamanha admiração, solvo com gosto, mesmo quando elas, para aqueles que, em não conhecendo-lhes o valor, as entendem como prolixidade... Muitos outros encontrei nos livros... E descobri que todos eles – todos – não são apenas inesquecíveis, mas imortais, posto que se encontram na Eternidade...

Conheci outros tantos – de ambos os gêneros – todos absolutamente memoráveis... Um que, sendo incompreendido por todos, encontrou em mim a compreensão – quando pude ser capaz de ouvi-lo com todo meu ser... Um que – ainda que me parecesse obtuso e orgulhoso – foi capaz de tocar-me o entendimento tão profundamente a ponto de provocar em mim uma avassaladora transformação que mudou o curso de minha vida...

Assim, refletindo profundamente sobre como e onde encontrar o professor inesquecível, eu pude perceber - com a maturidade que me trouxeram cada uma dessas singulares experiências com cada um desses meus célebres preceptores – que serão inolvidáveis todos aqueles que me fizerem ser a pessoa que eu sou neste exato momento e a que serei pelo resto da minha vida inteira... Porque o professor inesquecível é aquele que professa a Verdade que se esconde no interior de cada um de nós.


Sei que é meio clichê, mas esse filme mostra muito do que eu sinto como professora e como eu me sinto com relação aos muitos mestres que tive ao longo da minha vida...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Aula de Romantismo

Não entendo porque eu nunca levei tão a sério a minha brincadeirinha de infância preferida: brincar de aulinha. Eu adorava um giz e queria um quadro negro! Minha tia - que tem quase a mesma idade que eu tinha. Eu adorava! Essa política da sociedade - e da própria categoria - de depreciação do ofício do magistério conseguiu fazer com que eu perdesse muito tempo. Demorei demais para seguir o que sempre foi a minha vocação. Mas eu não vivo depressa demais. Vivo cada segundo; devagar. Tenho pressa, é verdade. Mas, o fruto verde não tem sabor - tem que estar maduro primeiro.

Eu adoro estar numa sala de aula! Não existe outro lugar que eu poderia me sentir melhor. É lógico que eu tenho limitações e dificuldades. O fruto ainda está amadurecendo, é bem verdade. E por é bem por isso que o entusiasmo não me abandona. Quero sentir o sabor...

Hoje foi nossa primeira aula sobre o Romantismo - o estilo de época. Puxa, eu voltei no tempo uns 20 anos. A minha professora de Literatura na época levou a música Exagerado - do Cazuza para ilustrar sobre o romântico, a atitude do romântico. Eu tive uma ideia um pouco diferente. Quem conhece o Vander Lee? Estranho é o fato dele ser daqui de Minas, um Belo Horizontino, e não ser conhecido! Românticos é uma música perfeita pra ilustrar o espírito do romântico (que pode ser eu, pode ser você) e do poeta daquela época. Meus alunos amaram! E hoje foi só o começo...



sexta-feira, 24 de abril de 2009

Vivendo e aprendendo - não necessariamente nessa ordem!


“De cada lado da sala de aula, pelas janelas altas, o azul convida os meninos, as nuvens desenrolam-se, lentas, como quem vai inventando preguiçosamente uma história sem fim; sem fim é a aula; e nada acontece, nada...Bocejos e moscas. Se ao menos, pensa Margarida, se ao menos um avião entrasse por uma janela e saísse pela outra”.

Mário Quintana



Vivo aprendendo ou aprendo vivendo? Bem, para uns, o aprendizado é tudo – é a própria vida. Eu aprendi muito com ela, experimentando... Tive professores que me ensinaram; aprendi (e aprendo) com os livros. Para quem não sabe, meu livro de cabeceira (digo sem a menor vergonha) é "O Pequeno Príncipe". Por ocasião do Dia Mundial do Livro e Ano da França no Brasil, participei de um concurso de frases sobre ele. A pergunta era “Por que O Pequeno Príncipe se tornou o livro mais amado do mundo?”. Nas mais de 150 respostas, o consenso foi que dizer que ele nos ensina a lembrar das coisas simples da vida, principalmente da criança que nós fomos um dia. O conselho de classe de hoje foi o meu “O Pequeno Príncipe” – serviu para me lembrar da aluna que eu fui um dia.

Sendo professora, tento ver meus alunos com os olhos de quem já esteve sentado naquelas carteiras duras e desconfortáveis – num espaço pequeno, monte de deveres para cumprir e o direito de ficar calado. E o que vejo não é nada assim tão diferente de quando eu era uma aluna, como eles. Não consigo olhá-los e não me ver quando eu tinha a idade deles. Impossível não me lembrar dos meus sonhos, meus anseios, minhas expectativas com o futuro. Nas minhas aulas, alguns me olham atentos, olhos brilhando. Outros - com ar de tédio - ouvem música no mp3, riem, conversam o tempo todo. Eu era o que se chamava na época uma CDF, uma aluna “exemplar" - nunca dei trabalho para nenhum professor meu. Mas eles me enchiam de trabalho. Não digo trabalhos que valiam nota e que me faziam “passar de ano”. Refiro-me ao esforço hercúleo de suportar suas aulas monótonas, sua postura autoritária e retrógrada. Nunca fui boa em exatas. Sempre foram meu calvário, minha suprema via crucis. Em uma ocasião, fui humilhada por uma professora de matemática, diante de todos meus colegas, por causa da minha dificuldade e nunca esqueci. Ela nunca olhou para o meu problema com o cuidado devido – simplesmente achou mais fácil pôr a culpa toda em mim, no meu “desinteresse”. Naquela época, eu não sabia que eu tinha o direito de levantar meu braço e dizer: “Professor, odeio sua matéria. Por favor, me faça mudar de opinião!”

Hoje estou do “lado de lá”. E me senti tão estranha... Passei a maior parte da minha vida como aluna. De fato, creio que minha experiência docente nunca vai superar a discente. É tão esdrúxulo assim que eu não consiga esquecer como foi, como é ser aluna? Do mesmo modo, a infância em mim é viva – a impressão que tenho é de que tudo foi apenas há um segundo! Mas as pessoas ao meu redor parecem que nunca foram criança um dia... E que professores nunca foram alunos – já nasceram ensinando, sabendo ensinar...

Nem todos nossos alunos são uma Susan Boyle, mas eu nos considero – nós, professores – como o júri cínico e a plateia hipócrita daquele programa. Todos citamos Paulo Freire com propriedade, mas e daí? Parece que tem gente que só virou professor para se vingar do que fizeram com eles quando eram alunos, só pode! De uma coisa, eu tenho certeza: eu não sou disciplinária, não sou mãe, não sou babá, não sou carcereira. Sou PROFESSORA, eu ensino. A questão é que ensinar exige motivar primeiro. E quem de nós está motivado o suficiente para acender a motivação no aluno? Quem? Somos um bando de caras de pau quando nos dizemos insatifeitos, mal-remunerados e continuamos na sala de aula – coMANDANDO (em) tudo. Acho que meus colegas deviam reler – se é que já leram algum dia – "O Pequeno Príncipe". Um dos meus amigos mais queridos usa o tempo todo a seguinte máxima: “uns não aprendem nunca; outros, mais tarde ainda”. E ele jura que é otimista...