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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O que mais machuca


Uma amiga muito querida está namorando (virtualmente) um americano. Conto de fadas: cara gato, com uma história triste. Se diz apaixonado e quer casar com ela. Ela está nas nuvens. Feliz como nunca! (E quem, no lugar dela, não estaria?) Ela é uma pessoa acima de qualquer suspeita, tem um coração enorme... O nome dela praticamente é amor! E eu estou morrendo de medo - por ela.

Às vezes eu fico imaginando porque é que a gente se deixa levar por uma ilusão, porque a gente se engana com as pessoas... Acho que por mais que no fundo a gente saiba que tudo não passa de uma grande mentira quer acreditar que existe amor perfeito, amizade perfeita. E nem é só por isso - precisamos manter o nosso ego bem massageado - queremos estar rodeado de amigos, sermos mimados, reconhecidos como maravilhosos, lindos, perfeitos! E quem se importa com a verdade? Nem nós, nem os outros. Fingimos uma mentira, vivemos a mentira - para nós mesmos. E ninguém - ninguém! - se interessa em olhar para dentro de si para entender porque queremos preencher os vácuos internos com mentiras. É isso o que mais machuca...

Minha amiga me disse que está perdendo a hora, compromissos marcados - tudo por causa do romance virtual. Minha resposta foi: Você pode perder tudo na vida - menos dinheiro e juízo! Foi uma resposta jocosa. Se eu tivesse falado seriamente e do fundo do coração, teria dito: você pode perder tudo - hora, dinheiro, qualquer coisa - menos a SI MESMA.



Edit: o clip não tem nada a ver com o post. eu só me lembrei da música por causa do título dela que é o mesmo do meu texto. o clip é bem triste... se vc é sensível, prepare-se pra dar uma chorada básica.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Não aprendi a brincar de soltar papagaio


Soltar papagaio (é assim que em Minas nós chamamos a pipa) é brincadeira de menino, determinaram. Aliás, há muitas coisas só de meninos que meninas não podem. E na minha cabecinha de criança, eu não entendia porque não. Eu via os meninos andando sem camisa na rua - menina não pode; lá ia eu cobrir minhas "vergonhas". Fazer e soltar pipa então era o tabu supremo. Eu via meu irmão mais velho no maior empenho preparando as taquaras de bambu, montando com papel de seda, fazendo rabiola com plástico de saco de lixo, socando vidro pra fazer cerol... Era a brincadeira predileta dele. Ele não me ensinou. Ninguém nunca.

Às vezes, penso que uma pipa voando na imensidão do céu é a metáfora perfeita da minha vida. Sinto-me presa por uma linha - longa, mas frágil - bailando no vento... Tento ir pra esquerda, me puxam pra direita. Dou uma pirueta, danço como posso. Luto contra e a favor do vento. Sou um pontinho minúsculo e colorido enfeitando a imensidão azul. Minha linha não tem cerol. Qualquer um pode vir querer me tosar. E tentam. E tentam. Mas o Soltador de Pipas é habilidoso. Ele dá um jeito de fugir e me manter bailando no Infinito.

Se um dia o vento me rasgar, que Ele me repare, me conserte. Mas se um dia a linha se desgastar, se arrebentar e eu cair, que seja suave a queda e que eu pouse nas mãos de quem me queira bem.