Morrer é inevitável. Certamente, em algum momento da vida nós já desejamos poder viver para sempre. Porém, há momentos em que a dor e a falta de compreensão sobre o porquê dessa existência é tão insuportável que a morte parece ser um prêmio merecido depois de tanta luta. Quando estou fazendo algo que me apaixona, não me lembro de pensar nisso: por que é que a gente existe se um dia não vamos mais existir? - nem nós nem aqueles a quem mais amamos. Por que não gostamos de falar ou sequer pensar na morte? A morte deveria ser pensada a cada dia... Não com tristeza, medo... Mas como uma forma de nos fazer entender que lutar tanto pela vida deve ter algum significado que precisamos descobrir.
Eu já tive tantos pesadelos horríveis com a morte do meu pai durante toda minha vida... Era um dos meus pânicos. Hoje vejo que todos aqueles pesadelos terríveis me prepararam para a realidade da qual não foi possível despertar. Ver seu corpo inerte causou-me uma sensação indescritível. O corpo sem vida nos causa horror porque exprime a certeza da separação definitiva entre nós e a pessoa que conhecemos e amamos tanto.
Meu pai não era um super herói ou um exemplo de ser humano do qual eu pudesse me ufanar nesse momento. Não... Meu pai era uma pessoa ordinária, como eu mesma sou. Como todos nós somos - cheios de defeitos e qualidades singulares impossíveis de serem encontradas em outro indivíduo. Meu pai era a pessoa mais alegre que conheci. Não me lembro nunca de tê-lo visto chorando ou com semblante entristecido por muito tempo. A seu modo, ele driblava o sofrimento e sempre demonstrava alegria em qualquer ocasião. Para mim, foi um pai cuidadoso em realizar as alegrias infantis: celebrava os aniversários com festa, natal e dia das crianças com presentes. Sempre que possível - quase sempre, na verdade - realizava todas as minhas vontades - que nunca foram poucas. Ele me fez uma criança muito feliz...
Seu gênio forte de leonino sempre se chocava com os nossos, mas nossas brigas nunca eram de causar mágoas eternas e insolúveis. Nos últimos tempos, nos tratávamos sempre cordialmente, com respeito amoroso recíproco. A última lembrança que le me deixou foi seu sorriso - ele gostava de rir e fazer rir. Assim, não me sinto no direito de ficar triste por mim - não por ele que agora goza do merecido repouso de uma alma cansada dos sofrimentos do corpo. Ele gostaria que eu prosseguisse minha jornada como ele: fazendo o que gosto, sorrindo e fazendo as pessoas sorrirem, cultivando amigos.
Sempre que uma pessoa deixa esse mundo, deveríamos honrá-la pensando em sermos melhores. Foram essas as palavras que ouvi do meu companheiro nessa jornada. Palavras que transformarei, a cada dia, em realidade até meu último sopro de vida.
R.I.P Claudionor Santos de Oliveira (1948-2010)
Seu gênio forte de leonino sempre se chocava com os nossos, mas nossas brigas nunca eram de causar mágoas eternas e insolúveis. Nos últimos tempos, nos tratávamos sempre cordialmente, com respeito amoroso recíproco. A última lembrança que le me deixou foi seu sorriso - ele gostava de rir e fazer rir. Assim, não me sinto no direito de ficar triste por mim - não por ele que agora goza do merecido repouso de uma alma cansada dos sofrimentos do corpo. Ele gostaria que eu prosseguisse minha jornada como ele: fazendo o que gosto, sorrindo e fazendo as pessoas sorrirem, cultivando amigos.
Sempre que uma pessoa deixa esse mundo, deveríamos honrá-la pensando em sermos melhores. Foram essas as palavras que ouvi do meu companheiro nessa jornada. Palavras que transformarei, a cada dia, em realidade até meu último sopro de vida.
R.I.P Claudionor Santos de Oliveira (1948-2010)